Os discursos, a partir de agora, terão de mudar. Obrigatoriamente, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) terão de agir de maneiras diferentes: mais diretos, consistentes, detalhados, objetivos e convincentes. Os dois candidatos terão de passar, necessariamente, credibilidade aos mais de 130 milhões de eleitores que foram às urnas ontem e a elas deverão retornar no dia 22.
Quem não agir assim perderá terreno, votos e a eleição. Especialmente, se o adversário o fizer. O fato de o presidente Lula ter ficado em primeiro lugar, com mais de 46,2 milhões de votos, contra mais de 39,5 milhões de votos dados a Alckmin, não significa que ele é o favorito no segundo turno.
Políticos experientes de todos os partidos brasileiros sabem muito bem, e dizem a todos quantos quiserem ouvir, que, tal qual em clássicos do futebol, segundo turno não tem favorito. Portanto, no segundo turno não bastará prometer criar empregos, nem prioridade à saúde, à educação, à segurança pública, aos transportes, à produção de alimentos, à geração de energia.
De nada adiantará dizer que vai cortar impostos, reduzir a carga tributária, equilibrar o orçamento, melhorar a eficiência da máquina estatal, diminuir os juros, pagar a dívida pública, combater a corrupção, etc.
Será inútil, também, bradar que governará com mãos de ferro. Ou, então, com base em todos os princípios da democracia, respeitados todos os desejos do povo brasileiro. Prometer, simplesmente, será pouco. Ou melhor, será inútil. Até porque, de promessas o povo brasileiro está cheio. Mais que isso: está de saco cheio.
O povo brasileiro quer mais do que promessas. O povo brasileiro deseja - e exige - explicações e detalhamento.
O povo brasileiro quer, deseja e exige, a partir desta segunda-feira, dia 2/10/2006, que tanto Lula quanto Alckmin expliquem como irão agir para cumprir as respectivas promessas a partir de 1º de janeiro de 2007.
Aquele candidato que fizer diferente estará condenado a perder a próxima eleição e ficar sem o direito de sentar no trono do Palácio do Planalto, em Brasília.
O autor, Cláudio Amaral, é jornalista