No momento em que escrevo ao “JC” transcorre a eleição e daqui a pouco sairei para votar, sendo que realmente pouco me importa quem poderá ganhar na medida em que o meu voto (ao menos isto) sei eu a quem não dar, e já é algo em meio a tudo o que vem acontecendo em termos de má administração pública e a falta de vergonha na cara de nossos governantes desde a redemocratização do Brasil!
No mais, não guardo um pingo de ilusão e sequer tenho uma gota de esperança quanto ao “nível” do próximo Congresso, do mesmo modo que não tenho a menor dúvida que, independentemente de quem se eleja, os próximos anos serão marcados igualmente pelo aprofundamento de uma crise que vivemos já há vários anos e que é, em resumo, pública, mas que decorre em síntese da ignorância, do radicalismo e da usura em proveito próprio de quem vem a ser eleito, mesmo quando ganha contornos mal-disfarçados de “ideologia” como esta a acontecer neste governo em questão!
Não sou nenhum pessimista militante, mas tampouco padeço deste otimismo quase religioso, esperançoso e eterno (senão atávico) do qual a maioria dos brasileiros em geral parece se aferrar compreensivelmente para viver e, sendo assim, lamento ter de dividir com os leitores do Jornal da Cidade muito mais que uma simples “má sensação”, mas efetivamente uma conclusão fria e racional calcada na observação e conclusão dos fatos e das coisas do mundo real, e como tal não posso deixar de dizer que o futuro, mais uma vez , para nós brasileiros, e sobretudo os honestos, não será bom...
Longe de querer me passar por “pitonisa” ou “oráculo” ou de impingir previsões a quem quer que seja. Arrisco-me a dizer que com ou sem Lula, com ou sem Alckmin, mais uma vez não se trata da água que está a subir, mas infelizmente trata-se ainda do mesmíssimo navio que continua a afundar!
Paulo Boccato