O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) chegou ao local de apuração montado em frente ao Cartório da 23ª Zona Eleitoral ontem à tarde, após 17h, com duas informações que saltavam às suas reações pessoais: o cansaço pelos últimos dois dias não-dormidos e a tristeza por Bauru não ter, mais uma vez, conseguido eleger deputado federal, mesmo tendo sido bem votado por aqui.
Para o candidato a deputado pelo PMDB, partido pelo qual ocupará uma das suplências em Brasília (DF) por estar na lista dos mais votados, a pulverização de votos em 11 candidatos a federal em Bauru e a distribuição de mais de 30% dos votos válidos para os chamados “pára-quedistas” foi, de novo, a causa desse quadro.
“Tive de me desfazer até do patrimônio pessoal, vendi uma caminhonete e estou tentando vender um jipe para fechar minhas contas. Corri 43 cidades da região em pouco mais de dois meses, andei muito, no corpo-a-corpo, nas ruas, no contato direto, sem estrutura financeira e sem barganha. O problema de Bauru é que os candidatos daqui mesmo trouxeram inúmeros de fora, fazendo dobradas com gente da Capital de outras regiões distantes. Isso de novo prejudicou muito”, argumenta.
Para o peemedebista, a cidade precisa refletir se quer um deputado federal a representando ou não. “Mais de 30% dos votos foram para candidatos de fora, eu não estou falando de candidatos da região. Isso é normal, porque eu trabalhei em 42 cidades em um raio de 100 quilômetros, sendo uma eleição distrital desse jeito, normal. É que, infelizmente, vêm candidatos de São Paulo, de outros lugares, e levam milhares de votos daqui e isso atrapalha e muito. Infelizmente, isso se repete e Bauru vai ter de refletir se quer ter deputado em Brasília ou se vai querer continuar isolada. Todo mundo sabe que, infelizmente, não se consegue nada em Brasília se não tiver um deputado nosso lá, e isso se repete”, acrescenta.
Para Agostinho, também falta ‘desconfiômetro‘ para muitos candidatos locais. “Eu sei que o número de partidos é grande, tudo bem, mas têm candidatos que deviam ter ‘desconfiômetro’ porque não tem condições de se eleger a nada, não ajudam em nada a cidade. Tem candidatos sem nenhuma chance que sabem que vão ter poucos votos, mas não mesmo assim continuam saindo para disputar”, lamenta.