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Jogadores quase reais geram fascínio em torneio de videogame no shopping

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Dezenas de jovens (a maioria deles acima de 20 anos) estavam reunidos, na tarde de ontem, com olhos vidrados numa das telas do antigo cinema do shopping. De vez em quando um aplaudia, outro gritava e tinha gente que até pulava.

O que poderia parecer a exibição de algum filme era, na verdade, um campeonato de videogame: o 1º Torneio Winning Eleven 10, promovido por uma loja da cidade especializada em produtos do ramo.

O jogo de futebol virtual, com gráficos avançados, cria uma ilusão quase perfeita de realidade, tanto que muitos dos presentes no local vibravam como se estivessem num estádio acompanhando jogadores de carne e osso.

Thiago Bombini, um dos proprietários da loja, não desgrudava os olhos da tela. “A qualidade das formas é muito grande, parece que estamos diante de seres reais”, afirma. Bombini, que joga videogame desde os 3 anos de idade, lembra que a evolução foi grande na área.

“Comecei com um Atari, que por sinal tenho guardado até hoje. Aquilo não se compara, nem de longe, aos games de hoje em dia... Gol!”, grita Bombini, que tem atualmente um Playstation 2. Ele interrompe sua explicação para comemorar o gol de Fábio Tomao, que representava a equipe da loja na competição.

Tomao, que tem 27 anos e é comerciante, acabou sendo campeão do torneio e foi premiado com um Playstation 2. Quando perguntado se as pessoas não estranham o fato de alguém com sua idade viver atrás de jogos virtuais, ele refuta: “Esta é primeira vez que alguém me diz isso”, sorrindo em seguida.

Vitorioso, Tomao reconhece não ser tão vidrado em videogame como possa parecer. “Só gosto de Winning Eleven”, explica. Diferente dele, outros garotos presentes no local costumam gastar horas com jogos virtuais. O técnico em seguros Leandro Carvalho, de 20 anos, chega a passar até seis horas diárias na companhia de seu Playstation 2.

“Mas só em finais de semana”, afirma ele, que também gosta de ir a bares e boates nos momentos em que não está trabalhando. Éric Pereira Mendes, de 13 anos, é outro fanático por videogames. Ele costuma jogar diariamente durante quatro horas seguidas. O passatempo, que poderia causar preocupação em qualquer mãe zelosa, não traz problemas ao garoto.

“Como tiro notas boas, ela nem liga”, diz Éric. Mesmo sendo um dos mais jovens participantes da disputa, ele conseguiu chegar às oitavas-de-final. “O pessoal achou que fui bem, pois ganhei de gente mais velha que eu”, diz.

Eliminado, Éric tenta dividir a culpa pelo “fracasso” com seus “atletas”. “Eu estava indo bem, de repente o time piorou e começou a dar bobeira. Não consegui evitar”, lamenta, de uma forma que soa quase à moda dos técnicos de equipes de futebol derrotadas - explicações que, por sinal, quase nunca são aceitas pela torcida.

Mas no mundo dos jogos virtuais, os espectadores costumam ser mais compreensivos. “Muitas coisas nos videogames já vêm programadas, portanto, o jogador não tem pleno controle sobre tudo o que acontece numa partida”, explica Tony Ibanhez, outro dos organizadores do evento.

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