A eleição de domingo deixou claro algumas situações em Bauru. O primeiro fato foi a consolidação do deputado Pedro Tobias (PSDB) como liderança, não só na cidade, mas na região e no Estado. Outro ponto importante foi o recado que 35 mil eleitores deram ao vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), que apesar de não ter sido eleito, mostrou que tem fôlego para se cacifar como liderança política.
Mas o que deve moldar o cenário político de Bauru a partir de agora é a cláusula de barreira, já que muitos políticos com mandato estão em partidos que não atingiram a meta estabelecida pela lei. Pela cláusula de barreira, os partidos deveriam ultrapassar os 5% dos votos válidos para deputado federal e 2% em, no mínimo, nove Estados do País. Os partidos que não atingiram essa meta vão perder direito à liderança na Câmara dos Deputados e à participação nas comissões, além de perder o direito ao tempo em rádio e TV e acesso à divisão da maior parte do Fundo Partidário.
Apenas sete legendas conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira (PT, PSDB, PFL, PMDB, PP, PDT e PSB). A tendência é que os demais partidos procurem outros com os quais se alinhem politicamente para unir forças e tentar se manter no cenário. Esta nova composição deve influenciar em Bauru, tornando insuficiente o resultado das urnas para promover mudanças na cidade.
A vereadora Majô Jandreice (PC do B) será diretamente atingida pela cláusula de barreira. O partido dela não conseguiu atingir a porcentagem mínima de votos e agora está com o futuro indefinido. Para ela, as novas configurações dos grupos políticos, tanto em nível federal, como estadual e municipal, só serão estabelecidas após o segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo Majô, a cláusula de barreira vai forçar uma nova movimentação dos partidos em busca de novas composições para sobreviver. “Se não for feita a reforma política e permanecer a regra que está estabelecida, haverá uma movimentação de partidos e isso vai interferir nos municípios”, disse.
Sobre a votação dos candidatos de Bauru, ela incluída, Majô afirmou que ainda é cedo para se falar em influência do resultado da eleição na política municipal. Para ela, ainda há questões importantes para serem definidas, que não serão sobrepostas pelas eleições. “Temos que discutir o plano diretor, depois, no final do ano, vem a eleição para presidente da Câmara, além do segundo turno. Então é cedo para falar sobre qualquer interferência na política municipal”, frisou.
O vereador Arildo Lima Júnior (PP) também destacou a importância da cláusula de barreira para o cenário político municipal. Segundo ele, haverá fortalecimento das legendas que “sobreviveram” à eleição – PT, PSDB, PFL, PMDB, PP, PDT e PV. “Quando você tem boa representação nos níveis federal e estadual, acaba influenciando na esfera municipal”, comentou.
Para o presidente da Câmara, Toninho Garmes (PSDB), a cláusula de barreira tem o lado bom, que é eliminar os partidos de aluguel, mas tem um lado de cerceamento da democracia partidária. “Só o tempo dirá se a cláusula de barreira irá melhorar as relações partidárias ou prejudicar a democracia”, salientou.