Bairros

Posto tem 600 na fila à espera de apenas uma especialidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Dependendo da região onde moram, os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que aguardam atendimento ortopédico enfrentam fila com cerca de 600 nomes. Em outras áreas, para a mesma especialidade o volume de pessoas na espera varia de 100 a 500. Há quem diga que o tempo de aguardo chegue a três anos.

Antiga, a demora no atendimento também inclui pacientes que precisam, por exemplo, de especialista na área de neurologia, reumatologia, endocrinologia e urologia. A espera tem justificativa para os usuários consultados: o Hospital Estadual (HE) estaria disponibilizando vagas aquém do necessário.

Mas não é só o hospital que presta consultas especializadas. Elas também são oferecidas pelo Ambulatório de Especialidade (gerido pelo governo do Estado), pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - mantenedora dos hospitais de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel -, pelo Instituto Lauro de Souza Lima e pela Fundação Veritas, informa a Direção Regional de Saúde (DIR-10).

Bauru x região

“É difícil (conseguir consulta) em todos, mas no HE é bem mais. Me falaram que não estão liberando (vagas) para Bauru. Todo mundo sabe que o atendimento é ótimo, mas priorizam as cidades da redondeza”, critica uma paciente, que pede para ter o nome preservado, assim como as outras consultadas.

Porém, conforme o JC publicou na edição de sábado, só em agosto o hospital atendeu 752 casos ambulatoriais novos apenas da cidade. De acordo com nota encaminhada pela assessoria de imprensa na ocasião, trata-se do município com o maior número de pacientes. A segunda cidade mais atendida foi Jaú, com 319 consultas. Depois vêm Pederneiras, (190), Lins (158) e Agudos (143).

“A gente sabe que a demanda é grande, mas quando saiu o hospital, falaram que ia resolver o problema. Piorou”, comenta outra entrevistada. A informação é rebatida por números apresentados pelo hospital.

O total de consultas ambulatoriais pactuadas com a DIR-10 ultrapassou o estabelecido no mês de agosto, assim como ocorreu no quesito internação. No primeiro caso, foram estabelecidos 11.340 e o HE realizou 13.033. Com relação às internações, registraram 1.107, quando o pactuado era 1.003.

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Dentro do previsto

A relação entre demanda e oferta será discutida amanhã, numa reunião a ser realizada entre a DIR-10 e o Hospital Estadual (HE). Simultaneamente, o assunto também será tratado no Ministério Público. Mas a diretora técnica da DIR-10, Shirley Alonso Mendes, já adianta que, teoricamente, o número de leitos disponíveis para Bauru e região está dentro do necessário e conforme previsto pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Só o HE, em agosto, atendeu 1.228 pacientes na especialidade de dermatologia; na ortopedia (incluindo as subespecialidades de quadril, mãos, joelhos, coluna, etc), realizou 998 consultas; otorrinolaringologia foram 982 atendimentos; oftalmologia, 992; em neuropediatria foram 527 consultas; na neurologia, 267; reumatologia, 325; cirurgia geral 938 e cardiologia, 632.

Para resolver o problema de neurologia, que dispõe de apenas um médico, o hospital abriu processo seletivo para contratar novos profissionais, mas não houve inscrição de candidatos, informa a assessoria de imprensa.

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