Regional

Toffano quer representar Bauru também

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 7 min

Jaú - Desde anteontem, momentos antes de ter confirmada a vitória, o deputado federal José Paulo Toffano, 36 anos, eleito por Jaú, em entrevista ao JC, declarou: “Sou um deputado de Bauru”. Passada a euforia natural da comemoração, Toffano mantém a postura e declara total afinidade com a cidade, agora consolidada na vida político-partidária.

Ele foi para a disputa eleitoral com objetivo de conquistar um vaga na Câmara dos Deputados e não para manter seu nome em evidência, como é estratégia usada por políticos que sabem que “quem não é visto, não é lembrado”. Não foi esse o caso de Toffano.

Eleito deputado federal por Jaú (47 quilômetros de Bauru), sua candidatura vem sendo preparada desde as eleições municipais de 2004, quando se lançou candidato a prefeito conseguindo 10% dos votos válidos pelo PV.

De lá para cá, Toffano conta que vem articulando apoios, já imaginando uma disputa difícil. Segundo previu, as candidaturas jauenses visando cadeiras na Câmara acabaram valorizando sua eleição.

O presidente da Câmara Municipal de Jaú, José Carlos Borgo (PMDB), e a vereadora Rita de Cássia Bertoncello Chacon (PFL) disputaram com Toffano voto a voto uma vaga na Câmara Federal por Jaú. Ao final, Toffano somou 43.652 votos contra 2.580 obtidos por Rita Chacon e 5.624 conseguidos por Borgo.

Ainda contagiado pela euforia da eleição, ele visitou o JC ontem e concedeu a seguinte entrevista.

Jornal da Cidade - Gostaria que o senhor detalhasse sua postura de trabalhar por Bauru, cidade que concorreu com candidato a federal em seu partido (Tidei de Lima)?

Toffano - Pode ter certeza que Bauru vai ter a atenção que merece. Bauru tem Toffano também. É claro que eu não poderia sair pronunciando antes porque poderia soar demagógico. Já candidato eleito, posso me colocar dessa forma. A minha esposa (Fabianne Mendes Toffano) é bauruense nata, toda a família dela está na cidade e a gente está aqui direto. Sou professor do grupo Preve Objetivo, que é daqui de Bauru. E sou estudante do último ano do curso de jornalismo da Universidade do Sagrado Coração (USC). Então, posso dizer que, dos sete dias da semana, três eu passo em Bauru. Minha relação é estreita com inúmeras pessoas de Bauru, inclusive com os veículos de comunicação.

JC - Como o senhor avalia o fato de Bauru não conseguir formar um consenso para eleger um deputado federal porque os políticos não param para olhar as relações políticas numa perspectiva de priorizar os interesses da cidade?

Toffano - Em Jaú, também não houve um consenso político. Nisso entra uma questão de vaidade. Do comando (de partidos), que impõe candidaturas apenas para levar votos para legenda. Nem todos que conduzem o partido em suas cidades têm autonomia para fazer o que bem entendem. Em Jaú, a sociedade civil percebeu a possibilidade de uma candidatura construída e que foi consolidada, inclusive, pelo Movimento União pela Região, criado pelo Terceiro Setor. Esse movimento divulgou uma pesquisa que apontou o meu nome, a 20 dias das eleições, como o mais aceito para ocupar a cadeira em Brasília. Então, a sociedade civil somou esses dois fatores e acabou despejando uma avalanche de votos no nosso nome. Vale ressaltar que disputei contra o candidato do PMDB José Carlos Borgo, que é o presidente da Câmara, e a candidata do PFL, que é a Rita Chacon. Não podemos dizer que não tive adversários em Jaú. E a todo momento foram leais. A sociedade é que fez o seu papel de consenso em torno de um nome. E pode parecer pouco três candidatos a federal, mas quando se leva em conta o porte de Bauru e o de Jaú são muitas candidaturas.

JC - O senhor está propondo um pacto regional?

Toffano - A função do deputado federal é representar de fato a região. O próprio coeficiente que divide os votos válidos do Estado pelo número de cadeiras (70) vai dar um coeficiente próximo de 300 mil eleitores. Cada 300 mil eleitores, em tese, teriam que ter seu representante. Aliás, o voto distrital é uma das nossas bandeiras em Brasília. Então, vamos fazer um pacto regional e isso inclui, obviamente, Bauru, para que a gente possa fazer projetos regionais. A divisão administrava do Partido Verde é dividida em bacias hidrográficas e Jaú e Bauru estão na Bacia Hidrográfica do Médio Tietê-Pepira. Temos que fazer o estudo das demandas locais para poder atender com responsabilidade cada uma das necessidades locais.

JC - Como o senhor analisa a atual lei eleitoral?

Toffano - A nova legislação eleitoral é um passo contundente em direção ao que eu considero como ideal. Os candidatos são mais avaliados pelo seu potencial e não mais pelos artistas que ele tem poder de trazer ou brindes que ele consegue comprar. Nesta eleição, já nos deixou mais iguais. Os próximos passos incluem a questão do voto distrital e a fidelidade partidária. Estes dois pontos estão, inclusive, acima da cláusula de barreira que, no meu ponto de vista, é inconstitucional. É inadmissível que um partido representado em mais de 100 países, como o Partido Verde, possa cogitar de ser extinto no Brasil. Um País de dimensões continentais como é o nosso necessita de vários partidos. Refuto de maneira veemente a afirmação de que partidos pequenos existem para ser alugados. É claro que há partidos pequenos que se prestam ao aluguel. Mas não há partidos grandes que se prestam a isso? Então, não é o tamanho de um partido que determina sua idoneidade ou não, mas sim as pessoas que o compõem.

JC - Que clima o senhor espera encontrar na Câmara já que a eleição de 1 de outubro, na realidade, afastou alguns nomes importantes do cenário político de Brasília, mas recuperou outras personalidades, algumas com “atestado de óbito político” decretado?

Toffano - Somos uma parcela que, em tese, temos uma influência pequena. De repente, você pode passar um ano sem abrir a boca, fazendo um trabalho de base em prol da sua região. Articulando projetos de captação de recursos. Mostrando caminhos para prefeitos, vereadores e o Terceiro Setor. Num determinado momento, você pode mostrar o seu posicionamento de maneira contundente de modo que todos venham a respeitá-lo e você possa criar uma situação que mude os rumos da Nação. Isso pode fazer diferença. Veja o Fernando Gabeira (reeleito pelo PV no Rio de Janeiro). Conseguiu derrubar o Severino (Cavalcanti, ex-presidente da Câmara que renunciou e, agora, não se reelegeu). É uma questão de ter postura e se posicionar no momento correto. E o Partido Verde tem outros exemplos: juntos com o PPS e PDT fomos responsáveis pela abertura da CPI das Sanguessugas. O PV votou aberto contra os “mensaleiros” e, na semana seguinte, o Congresso aprovou o voto aberto. Essa questão de tamanho bem articulado funciona direitinho.

JC - Quais demandas iniciais o senhor pretende priorizar ao assumir a cadeira no Parlamento?

Toffano - Em Jaú, precisamos apressar a obra do aterro sanitário, que é uma demanda fundamental. Temos problemas pontuais de galerias (águas pluviais) em ruas com declive acentuado e que no período de chuva causam problemas com a velocidade da enxurrada. Temos problema de falta de asfalto em alguns bairros e creche. Jaú tem 153 anos e precisa de uma universidade pública que possa gerar mão-de-obra qualificada e que propicie a vinda, futuramente, de empresas de maior porte. Porque quando se fala em vinda de grandes empresas, imediatamente, a gente tem que pensar na mão-de-obra qualificada e isso é papel da universidade também. Na nossa microrregião há cidades menores que enfrentam problema de falta de Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Em nível nacional, a gente vai batalhar para colocar em pauta a discussão da alteração da nossa matriz de transporte. Temos que colocar na pauta a alteração da nossa matriz energética e criação de corredores ecológicos. Precisamos preservar nossos recursos e ao mesmo tempo gerar emprego e o desafio é grande. Estamos assumindo essa cadeira para encarar essa dificuldade.

JC - Qual será sua articulação política em cidades, como Bauru, onde o senhor não tem conhecimento profundo das demandas locais?

Toffano - Vamos conversar com lideranças locais.

JC - Que mensagem o senhor deixa para aqueles que estão desapontados com a classe política brasileira?

Toffano - É o momento de participar. Nossa candidatura deve servir de exemplo para aqueles que pensam que política é sempre uma coisa suja. Em que o dinheiro é o único imperador. Uma candidatura com raça, construída e consolidada pode ser bem-sucedida. É o nosso caso.

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Perfil

Nome: José Paulo Toffano

Idade: 36 anos

Partido: PV. Eleito para mandato 2007/2010

Profissão: Professor e empresário do setor de educação

Esposa: Fabianne Mendes Toffano

Filhas: Gabriella, 5 anos, e Júlia, 1 ano

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