Brasília - A nova Câmara dos Deputados, que tomará posse em fevereiro com uma renovação de 46% em sua composição, representará um problema ao próximo governo, seja ele qual for. Isso porque os partidos de oposição ao PT de Luiz Inácio Lula da Silva cresceram 9% em relação ao seu atual tamanho (15 novas cadeiras), enquanto a aliança governista encolheu 5,6% (19 vagas a menos) - notícia ruim para Lula, que nunca teve vida fácil mesmo com a atual composição da Casa.
Apesar disso, os partidos que apóiam formalmente o governo petista continuam bem maiores do que o conjunto da oposição - 322 cadeiras contra 182, o que exigiria de um possível governo do tucano Geraldo Alckmin uma maratona de negociações para obter adesões até a posse.
O PMDB conquistou a maior bancada de deputados federais - a liderança numérica coube ao PT durante quase toda a atual legislatura. Os peemedebistas saem de 78 deputados para 89, um crescimento de 14%, o que lhes dá força para fazer o presidente da Câmara em 2007. O partido integra a base de apoio a Lula, mas parte da bancada tradicionalmente se alia à oposição.
Em segundo lugar, o PT elegeu 83 deputados, menos do que os 91 eleitos em 2002, mas mais do que os 81 da atual bancada. Entre as médias e pequenas legendas, destaque para o PV, que sai de sete para 13 deputados, e o PPS, que sobe de 15 para 21 representantes. Os principais partidos de oposição, PSDB e PFL, terão 65 vagas cada um.
O primeiro tinha 59 e o segundo, 64. Em 2002, os dois partidos apresentaram resultados mais robustos (84 eleitos pelo PFL e 70 pelo PSDB). Os grandes derrotados nestas eleições foram três legendas que se envolveram profundamente com os escândalos do mensalão e dos sanguessugas. PTB, PL e PP têm hoje 129 representantes na Câmara, mas só conseguiram eleger 87. O PTB foi o mais afetado, tendo encolhido 49%. Sai de uma bancada de 43 deputados para uma de 22.
Renovação
A Câmara não tinha uma renovação tão alta desde as eleições de 1994, quando registrou 55% de deputados que não haviam exercido o mandato na legislatura anterior. Em 1990, a renovação superou 60%. Nas duas últimas eleições, o índice foi menor - de 41,6% em 2002 e 41,9% em 1998. Os 46% “novos deputados” que saíram das urnas anteontem somam 236 das atuais 513 vagas.
O adjetivo “novo” vem entre aspas porque 41 deles já foram deputados em legislaturas anteriores. São os casos de Paulo Maluf (PP-SP), o mais votado em todo o País, José Genoino (SP), ex-presidente do PT, Antônio Palocci (PT-SP), ex-ministro de Lula, Alceni Guerra (PFL-PR), ex-ministro do governo Fernando Collor de Mello (1990-1992), e Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), cassado sob acusação de envolvimento com a máfia que fraudou o Orçamento da União.
Entre as reais “novas caras” da Câmara estão parlamentares que se apresentaram ao eleitor com nomes como “Bala”, do PDT do Amapá e “Pinto do Itamaraty”, do PSDB do Maranhão. Há também parentes de políticos e de famosos, como é o caso Ratinho Júnior (PPS-PR), filho do apresentador de TV Carlos Roberto Massa, mais conhecido como Ratinho. Entre os famosos eleitos estão o apresentador de TV Clodovil (PTC-SP) e o cantor de forró Frank Aguiar (PTB-SP).