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Aeronáutica recupera caixa-preta do 737; mais corpos são encontrados

Folhapress
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São Paulo - As equipes de buscas da Aeronáutica encontraram na tarde de ontem a caixa preta do Boeing 737-800 da Gol que caiu na noite de sexta-feira em Peixoto de Azevedo (MT). O equipamento contém as gravações do que foi dito pelo piloto, além de dados e parâmetros de vôo. A análise dos dados pode ajudar a esclarecer as causas do acidente. Todas as 155 pessoas que estavam no avião - 149 passageiros e seis tripulantes - morreram, segundo a Aeronáutica.

Ontem à tarde, o comando da FAB anunciou, em nota, que mais corpos foram encontrados ontem no local do acidente, mas não soube informar quantos são. Eles devem ser encaminhados para análise de peritos do Instituto Médico Lega (IML) do Distrito Federal e Mato Grosso, enviados para o local da queda.

Os dois primeiros corpos - mutilados - foram localizados ainda anteontem. Eles foram catalogados, ensacados e enviados de helicóptero para base da FAB montada na fazenda Jarinã, a cerca de 40 km do local da queda do Boeing. As buscas foram interrompidas na fim da tarde de ontem e devem ser retomadas na manhã de hoje. As áreas de buscas foram ampliadas de dez para 20 quilômetros quadrados.

Queda

O Boeing 737-800 da Gol caiu depois de bater no ar em um jato Legacy que conseguiu pousar em uma base aérea no Pará. De acordo com as descrições dos militares, o avião caiu de nariz e está coberto pela copa das árvores. Como o local da queda é de difícil acesso, uma clareira precisou ser aberta para que os militares descessem em pára-quedas. Árvores de até 40 metros tiveram que ser cortadas.

Os militares estudam outros meios de acesso, com o apoio de líderes indígenas da região. “É muito difícil que a gente consiga localizar todos os passageiros. A situação é muito pior do que qualquer um de nós possa imaginar”, afirmou o comandante da operação, brigadeiro Jorge Kersul Filho.

Investigação

O Boeing, que havia saído de Manaus com destino ao Rio, deveria fazer uma escala em Brasília. Ele perdeu contato por volta das 17h de sexta, depois da colisão do avião foram encontrados por volta das 9h de sábado, em uma área de mata, a 200 quilômetros de Peixoto de Azevedo. O choque provocou danos na asa do jato Legacy, que conseguiu pousar na base aérea de Cachimbo.

A aeronave seguia para os Estados Unidos com sete pessoas -piloto, co-piloto, dois funcionários da Embraer, um jornalista do “The New York Times” e dois funcionários da Excel Aire, empresa que comprou o jato. Todos passam bem. Em depoimento prestado anteontem, os pilotos - que são americanos - disseram que não viram o Boeing, embora tivessem sentido um pequeno impacto e ouvido um “barulho”. Afirmaram, ainda, que os equipamentos da aeronave funcionavam normalmente antes e depois do acidente.

De acordo com o presidente da Anac, o equipamento que sinaliza a presença de outra aeronave em rota de colisão, o chamado TCAS, funcionava normalmente no Legacy. Para a Polícia Civil de Mato Grosso, a versão dos dois profissionais “soou inverossímil” e há hipótese de homicídio culposo. Neste caso, o piloto e o co-piloto do Legacy e os controladores de tráfego aéreo poderiam ser responsabilizados. Anteontem, a caixa-preta do Legacy seguiu para análise em São José dos Campos (SP).

A análise da caixa-preta é essencial para saber exatamente em que altitude e em que procedimento (subida, descida, vôo de cruzeiro) o Boeing estava no momento do acidente.

Segundo o tenente-brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, é preciso descobrir o motivo de dois aviões bem equipados e novos estarem no mesmo nível, quando deveriam estar a uma distância mínima de 300 metros. “São aviões com equipamentos anticolisão. Precisamos saber por que eles não evitaram o acidente”, disse o tenente-brigadeiro.

Pereira também levantou a necessidade de esclarecimentos acerca do fato de qual avião estaria acima ou abaixo do nível correto, e ressaltou que a altura das aeronaves, entre 36 e 37 mil pés, é completamente visualizada por radares. Na velocidade em que os aviões estavam, de acordo com Pereira, seria impossível aos pilotos fazerem qualquer identificação visual de outro avião. No entanto, os equipamentos deveriam ter alertado sobre a possibilidade de rotas coincidentes. Quando isso acontece, o sistema alerta o piloto com sinais sonoros e luminosos, além de orientar o procedimento. “O piloto não precisa raciocinar, basta seguir a orientação”, explicou.

Para o comandante Marques Peixoto, agente de segurança de vôo e diretor do Sindicato dos Aeronautas, o acidente pode ter sido causado por uma conjunção de fatores. Segundo ele, ocorrências como essa não ocorrem em função de um único fator, “mas de quatro a sete fatores que se alinham”. Todas as possibilidades, segundo Peixoto, têm de ser analisadas.

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