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PSOL vai se manter neutro no 2º turno

Por Gabriela Gurreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O PSOL confirmou ontem que vai se manter neutro, sem apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Geraldo Alckmin (PSDB), no segundo turno das eleições presidenciais. Apesar da neutralidade, os filiados ao PSOL não poderão fazer campanha publicamente para nenhum dos dois candidatos. “Na urna pode fazer o que quiser. Publicamente, não poderão apoiar nenhum dos dois”, disse a presidente do PSOL, Heloísa Helena.

A senadora subiu ontem à tribuna do Senado para anunciar a neutralidade do partido. Ela fez um apelo para que os coordenadores de campanha dos dois candidatos não procurem a legenda em busca de apoio. “O PSOL tem posição política. Não nos procurem oficialmente, digo isso ao Lula e ao Alckmin”, afirmou.

A senadora negou, no entanto, que o partido vá ficar “em cima do muro” ou “lavar as mãos” no segundo turno. “Nós estamos no chão, não em cima do muro. Os dois candidatos apresentam o mesmo projeto neoliberal. Não vamos rasgar 12 anos de militância em dois dias”, enfatizou. Segundo a senadora, os eleitores do partido são livres para escolher que caminho seguir no segundo turno.

“Eu não sou vaqueira para liberar gado. Os eleitores do PSOL são livres. Tão livres que foram capazes, apesar de todos os obstáculos, de me escolher”, disse. Ela fez um apelo, em especial, para que petistas não procurem Plínio de Arruda Sampaio, ex-membro do PT que disputou o governo de São Paulo pelo PSOL, em busca de apoio. “Não adianta o ministro (Guido) Mantega ligar para o Plínio porque ele é um homem de partido e vai contar isso depois”, disse.

Homenagem

Depois de discursar, Heloísa foi saudada com discursos de despedida de pelo menos dez senadores - a maioria da oposição - que rasgaram elogios à conduta da senadora e ao seu desempenho nas urnas. Emocionada, a candidata do PSOL aproveitou para agradecer os 6,85% de votos que recebeu no último domingo. Ela enfatizou que, com a eleição de Lula ou de Alckmin, o PSOL vai continuar a luta política contra a corrupção. “Seja Alckmin ou Lula, estaremos no campo de batalha”, disse.

Cláusula

Na luta contra cláusula de barreira, o PSOL pretende fortalecer a legenda através de movimentos sociais e a militância do partido. Outra estratégia é apostar nas eleições municipais. Segundo deputados do PSOL, não há opção de fusão com outras legendas para aumentar a representatividade no Congresso. Além do PSOL, o PPS, PV, PC do B, PSOL, PTB, PL, PSC, Prona e PTC não conseguiram ultrapassar a cláusula de barreira. Essas legendas não terão direito a recursos do Fundo Partidário, além de perder o tempo destinado a propaganda eleitoral gratuita na TV.

Para o deputado estadual João Batista Babá (PSOL-RJ), a estratégia do PSOL para combater a cláusula é “a organização da militância e o estabelecimento de pólos de atração de vanguarda nos movimentos estudantis.” Segundo Babá, o PSOL irá “combater com vigor essa medida injusta (cláusula de barreira) e promover uma intermediação entre parlamentares (do PSOL) no Congresso e movimentos sociais para buscar mais representatividade.”

Já a deputada federal Maria José da Conceição Maninha (PSOL-DF) - que chegou a pedir a cassação do registro de candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) -, defende o enraizamento do partido nos movimentos sociais, mas não despreza o Congresso. “É claro que o PSOL deve buscar raízes em todos os movimentos sociais, mas não deve desprezar a representação institucional.”

Para Maninha, uma maneira de fortalecer o partido serão as eleições para prefeitos e vereadores. “Vamos nos preparar para as eleições municipais e para a candidatura de Heloísa Helena para 2010.”

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