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Testemunha diz que avião da Gol ‘caiu em círculos’

Folhapress
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Peixoto de Azevedo - O delegado Luciano Inácio da Silva, que preside o inquérito da Polícia Civil sobre o acidente entre o Boeing da Gol e o Legacy, revelou ontem detalhes de três depoimentos colhidos com testemunhas oculares da queda do avião na reserva indígena Capoto-Jarinã, em Peixoto de Azevedo (MT).

As testemunhas, trabalhadores da fazenda Madeiruna, vizinha da fazenda Jarinã, usada como base para o resgate, estavam com uma betoneira ligada “e não ouviram qualquer barulho”, segundo Silva.

O delegado disse que um deles percebeu uma fumaça em S, “parecida com a de um jato”, e chamou a atenção dos colegas. “Eles relataram que, logo após a fumaça, viram a aeronave, que movimentou-se para a esquerda e para a direita em círculos.” Os trabalhadores disseram que naquele momento o avião estava com as duas asas intactas, informou o delegado.

Uma das testemunhas - os nomes delas não foram revelados - comparou a queda da aeronave ao movimento conseguido nas brincadeiras de aviãozinho de papel. “Esse depoimento é importante para identificar como foi a queda”, disse. No início das buscas, os técnicos e peritos trabalhavam com a hipótese de que o avião caiu de nariz. Anteontem, o coronel Jorge Amaral, do setor de Comunicação da Força Aérea Brasileira (FAB), afirmou que a aeronave despedaçou-se no ar.

O fato de corpos e destroços estarem em vários locais podem confirmar essa tese. Identificações O perito criminal Zuilton Bráz Marcelin, que recolhe amostras e impressões digitais, quando possível, e fotografa os cadáveres e restos mortais, disse que os corpos achados ainda “possuem, tecnicamente, boas condições de identificação”.

“Esses novos corpos encontrados, é claro, estão em pior situação do que os dois primeiros corpos, mas um rápido trabalho de resgate, que deve acontecer, não irá prejudicar a coleta de materiais.” Ele afirmou que a maioria dos corpos está a 200 metros além do ponto da clareira aberta na floresta. Ele não soube dizer o número exato de corpos achados, mas disse que “os trabalhos de resgate avançaram muito”.

No processo de “embrulhar” os cadáveres, os encontrados próximos são separados por idade e sexo. Um caminhão frigorífico já está na base operacional, mas até o final da tarde de ontem, porém, não havia sido usado. “A refrigeração estabiliza o quadro de composição e ajuda na identificação. Só depois de colhidas todas as amostras e digitais é que haverá o congelamento para o transporte.”

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