Gaza - Homens armados supostamente ligados ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ameaçaram ontem matar líderes do Hamas (no controle do Parlamento). A ameaça sinaliza um recrudescimento da violência entre as duas fações (que possuem braço político e armado) após os conflitos registrados nos últimos três dias, nos quais dez palestinos morreram e mais de 100 se feriram.
A atual onda de violência é a pior desde que o Hamas assumiu o poder após ser eleito democraticamente em janeiro deste ano, despertando temores de uma guerra civil. A situação se acirrou na semana passada, quando ruíram as chances de o Fatah participar do atual governo.
Uma pesquisa publicada ontem, mostra que o Fatah derrotaria o Hamas em caso de novas eleições palestinas, apesar de o premiê Ismail Haniyeh ser a personalidade em quem os palestinos depositam mais confiança.
Se uma nova eleição legislativa acontecesse hoje, 32% dos palestinos votariam no Fatah, 30,5% no Hamas e o restante em partidos de menor expressão, segundo a pesquisa feita pelo Jerusalem Media and Communication Center.
A violência que causou a morte de dez pessoas teve no domingo, quando cerca de 3.500 membros do Hamas entraram em choque contra funcionários públicos e homens do corpo de segurança aliados ao Fatah, que protestavam pelo atraso de pagamento de seus salários.
Desde que o Hamas assumiu o Parlamento palestino, a divisão de poderes tem causado conflitos entre os dois grupos políticos. O Hamas, diferentemente do Fatah, não reconhece o Estado de Israel e prega sua destruição. O governo israelense também não aceita o governo do Hamas, e interrompeu o repasse de dinheiro aos palestinos - piorando a crise financeira palestina.
A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, exortou ontem os grupos palestinos rivais Hamas e Fatah a chegar a um acordo. “Palestinos inocentes são pegos no fogo-cruzado. Exortamos todos a parar”, disse na Arábia Saudita, escala de sua viagem ao Oriente Médio, sobre a crescente disputa entre as facções. O premiê palestino, Ismail Haniyeh, do Hamas, criticou a interferência. “Rice aplica a velha política de dividir para reinar, (...) para consolidar situações que beneficiem a ocupação israelense.”