Nacional

Casal Garotinho apoiará Alckmin

Por Jose Alberto Bombig e Catia Seabra | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O candidato a presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, recebeu ontem o apoio formal da governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, e de seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho, ambos do PMDB.

O casal se reuniu com o tucano acompanhado do presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP). O trio explicitou a divisão do partido neste segundo turno, já que o peemedebista Sérgio Cabral, candidato ao governo do Rio, declarou apoio à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.

O encontro também estremeceu a aliança PSDB-PFL, já que o pefelista César Maia, prefeito do Rio, é adversário do casal Garotinho. Segundo Maia, Alckmin “perde o discurso da ética” ao se aproximar do casal.

Além disso, o PPS de Denise Frossard disputa o segundo turno com Cabral e espera a ajuda do tucano. “Nós começamos a fazer um trabalho para obter a parcela mais ampla do PMDB no apoio à candidatura Geraldo Alckmin. Ontem, com a governadora Rosinha e o ex-governador Garotinho, foi o primeiro passo”, disse Temer.

A visita ocorreu em São Paulo. Segundo Temer, seu partido está consultando governadores e parlamentares eleitos para promover um grande ato de apoio a Alckmin no Sudeste. Ele disse não ver prejuízos à candidatura de Cabral no Rio. Garotinho justificou seu apoio ao tucano: “Vários motivos nos levam a apoiar a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin. (...) Na história do Brasil nunca se viu um governo de tantos escândalos, de tanta corrupção e de tanta parcialidade.

A Polícia Federal (PF) atua de um jeito com relação às pessoas comuns, mas não com o mesmo jeito em relação a Marcos Valério, a Delúbio Soares, a tantos outros personagens da intrigada trama da corrupção petista”. Ainda como pré-candidato a presidente, em abril, o ex-governador do Rio foi alvo de suspeita de irregularidades nos repasses de recursos do Estado para ONGs ligadas a sua pré-campanha.

A Polícia Federal investiga o caso. “Todas as denúncias (contra mim) foram apuradas e nenhuma delas foi comprovada. Fizeram denúncias contra o Alckmin, contra o Lula. Se denúncia atrapalhasse campanha, o Lula não tinha nenhum voto”, afirmou.

Questionado sobre as críticas do prefeito do Rio, Garotinho respondeu: “O Cesar Maia é uma pessoa que gosta de polêmica, nem tudo o que ele fala deve ser levado à sério”. Alckmin disse não haver constrangimentos no encontro. “Apoio se recebe e se agradece. Não nos foi solicitado nada que não fosse compromisso com o Brasil.”

Com o apoio de Rosinha e Garotinho, o tucano espera melhorar seu desempenho no Rio, onde foi mal no primeiro turno. “O desempenho da candidatura Alckmin no Rio vai melhorar muito, até porque a vitória do PMDB lá foi incontestável”, disse o ex-governador.

Pela manhã, Alckmin recebeu a visita do governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), que não conseguiu se reeleger no domingo, sendo derrotado por Cid Gomes (PSB). Na campanha do primeiro turno, o tucano chegou a exibir imagens de Lula no seus programas do horário eleitoral. Ontem, disse que esse é um episódio superado e que vai trabalhar para eleger Alckmin.

Maia

Articulador da campanha de Geraldo Alckmin no primeiro turno no Rio, o prefeito César Maia reagiu com indignação ao apoio do casal Anthony Garotinho e Rosinha Matheus ao tucano:

“É um verdadeiro desastre. Alckmin, com essa aproximação, perde o discurso da ética, pois o mensalão de Lula será comparado com o propinoduto do Garotinho”. Ele disse que Alckmin não precisava desse apoio: “A performance do Alckmin sozinho no interior do Estado foi muito boa. Tem uma situação de equilíbrio com Lula no interior. Esse apoio é um erro tático grave”.

Maia disse que, “se o Alckmin andar no domingo com o Garotinho no calçadão de Copacabana, vai levar a maior vaia que já ouviu na sua vida. Vai ter que se esconder e ir com Garotinho nos grotões”. Para ele, “ninguém rejeita apoio”, mas “daí a tirar fotografia é um erro”.

O prefeito agradeceu a Deus por não ter sido consultado e disse que, com isso, Alckmin se vincula a “um governo caótico”: “Rosinha fez o pior governo da história do Rio. Todos os serviços públicos estão destroçados”.

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