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Jairo Bouer condena mistura de direção e bebida


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O médico psiquiatra Jairo Bouer, uma das referências no Brasil quando o assunto é saúde e comportamento, foi convidado a responder algumas questões sobre o tema direção x bebida para o Movimento Piloto da Vez. Entre outros assuntos, ele explica a ação e os efeitos do álcool no organismo e comenta como outros países encaram o problema do alcoolismo ao volante.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

O que acontece fisiologicamente com uma pessoa quando ela bebe?

Bouer - O álcool é um potente alterador do sistema nervoso central. Os efeitos dele têm a ver com a quantidade e a velocidade do consumo de álcool. Num primeiro momento a pessoa fica mais desinibida, alegre e expansiva, funcionando como um estimulante do sistema nervoso. Mas, rapidamente, com níveis de alcoolemia mais altos, começa-se a perceber uma lentidão de reflexos. Com um nível ainda mais alto, a pessoa começa a ter embaralhamento visual. Ou seja, após o estímulo inicial, o álcool começa a reprimir o sistema nervoso, o que torna uma pessoa incapaz de dirigir com segurança.

Muitos jovens bebem para perder a timidez e se aproximar da paquera. De que forma eles poderiam fazer isso sem envolver bebida?

Bouer - De fato, tomar um drinque só vale a pena quando é por prazer e não para se sentir capaz de qualquer coisa. Minha dica, nesse caso, é brincar com o próprio fato de estar nervoso. Essa atitude vai até agradar mais às meninas, que se sentem valorizadas quando sabem que os meninos fizeram algo que para eles é difícil.

O movimento Piloto da Vez desembarca agora no Brasil. Você acredita na eficiência de ações como essa?

Bouer - Considero uma ótima opção para os jovens exercerem um papel de responsabilidade social ativo. É uma solução real para a questão direção x bebida. Acredito que o jovem está mais consciente e pode ser despertado por esse tipo de iniciativa. É ótimo sair em turma, muitas vezes é até mais divertido. Quando sai para uma balada, o jovem deve enxergar não o fato de que não vai poder beber, mas que vai ajudar os amigos, vai dar uma força. Essa vai ser a forma dele interagir com os outros nesse dia. Na balada seguinte, outro amigo pode ser o Piloto da Vez.

Conhece iniciativas semelhantes em outros países?

Bouer - Nos Estados Unidos a idéia já é bastante difundida. Acho que a idéia pode se tornar ainda mais eficiente com ações paralelas, como acontece nos Estados Unidos, por exemplo. Lá há projetos continuados de educação na escola e leis mais rigorosas em relação à proibição de beber antes da idade legal e da venda de bebidas alcoólicas para menores. O ideal seria que o Brasil tivesse um plano completo.

Na sua opinião, qual é a forma mais eficiente de educar a sociedade para questões de responsabilidade?

Bouer - Considero o trabalho de conceituar como se cuidar, de forma educativa, sempre mais efetivo do que a punição. Mas não dá para negar que alguns comportamentos de risco só são vistos pela sociedade com mais responsabilidade quando há uma punição, como no caso do uso do cinto de segurança, que ninguém usava e hoje é padrão. Em termos de rigor de lei, os Estados Unidos são mais rigorosos do que o Brasil no sentido de que a idade legal para se começar a beber é 21 anos, e não 18. Estabelecimentos que vendem bebidas para menores de 21 podem ser fechados. Se a pessoa é pega dirigindo embriagada, por exemplo, pode ir preso e perder a carta. Mas a idéia do Designated Driver, que no Brasil ganhou o nome de Piloto da Vez, funciona muito bem por lá, uma coisa completa a outra.

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