Rico, moderno e com ampla variedade de modelos à disposição dos consumidores. Este é o perfil do mercado automotivo japonês, que deixaria qualquer brasileiro de “queixo caído” diante das imensas diferenças com o mercado nacional.
“No Japão, quando se fala em automóvel, as marcas registradas são a tecnologia de ponta e a qualidade. Estas são as máximas da indústria automobilística nipônica, pois tratam com consumidores ávidos por novidades e potência. Por isso, nas ruas pode-se encontrar uma variedade imensa de carros, desde pequenos utilitários até, freqüentemente, Ferraris e Lamborghinis. Só a Toyota possui mais de 60 modelos. Entretanto, também é interessante observar o imenso sucesso que os automóveis com motores inferiores a 1.000 cc fazem no arquipélago”, compara o bauruense Daniel Gimenes, há dois anos no Japão.
O bauruense explica que uma combinação de fatores justifica o sucesso, principalmente entre os brasileiros que residem no país, dos modelos abaixo dos “mil” na terra do Sol Nascente. “O fato de ser um carro com consumo extremamente baixo, que polui menos e cabe em qualquer lugar num país tão apertado como é o Japão, garantem o sucesso deste segmento. Esses modelos populares são os mais disputados pelos brasileiros que aqui residem, pois além do baixo custo, são fáceis de se desfazer no momento de ir embora. Mas os carros grandes e esportivos também são muito populares entre a galera verde e amarela”, sustenta o professor.
Outros motivos que aquecem as vendas no mercado automotivo japonês são o “recheio” dos carros, sempre bem equipados, e a baixa incidência de impostos no valor final dos veículos. “Enquanto no Brasil esse índice ultrapassa os 30%, aqui chega no máximo a 5%. Além disso, do modelo mais popular ao mais sofisticado, todos vêm com ar-condicionado, câmbio automático, som, desembaçador, airbag, e em alguns casos, sistema de GPS. E, comparando com os carros nacionais, um automóvel japonês que venha com todos os opcionais, convertido em dólares, é mais barato que qualquer carro brasileiro básico da mesma marca”, frisa Gimenes. E complementa:
“Já o seguro do carro é pago anualmente, mas não representa um grande investimento por parte do proprietário. Tem também o imposto que é cobrado a cada dois anos sobre o veículo, chamado Shaken, que é um valor maior, mas nada que possa deixar um proprietário com dores de cabeça para pagar.”
Gimenes conta, ainda, um detalhe curioso da forma de definir o ano dos automóveis no Japão, que se baseia na data da posse do imperador. “Como o calendário japonês é diferente do ocidental, os anos são contados a partir da posse do imperador. Os carros recebem definições que, à primeira vista, nos parecem estranhas. Por exemplo: você pode ter um carro ano 8, que quer dizer que ele foi construído no oitavo ano de governo do imperador atual.”