Polícia

Adolescente é esfaqueada no pescoço por ex-namorada de colega de classe

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

A violência está nas ruas, mas cada vez mais aproxima-se dos lares e escolas, causando preocupação às famílias. Anteontem à noite, uma adolescente de 15 anos foi esfaqueada no pescoço por uma colega de 16 anos quando estava chegando na escola, em Bauru. O motivo: ciúmes do ex-namorado. Os nomes e locais do fato foram omitidos para preservar a vítima.

Logo após a agressão, a adolescente agredida foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central e levou 11 pontos no pescoço. Ontem de manhã, já descansava em sua casa. Ela conta que por pouco não ficou gravemente ferida. “Ela tentou um segundo golpe de faca na minha barriga, mas consegui me defender usando meu caderno”, diz.

Tudo começou quando a vítima fez amizade com o ex-namorado da agressora. “Estudamos na mesma sala. Eu sou amiga dele e nada mais”, diz. A ex-namorada resolveu tirar satisfações. “Ela perguntou se eu conhecia o rapaz. Eu disse que sim porque estudava com ele. Daí ela falou que ‘com ela é diferente’, mostrou a faca e já me deu o primeiro golpe, no pescoço”, contou. Em seguida, veio o segundo golpe. “Foi rápido, mas consegui me defender na segunda vez”, contou. Apesar do medo, a adolescente disse que não vai abandonar os estudos.

Os pais dela procuraram a família da agressora, que mora no mesmo bairro, mas não encontraram ninguém. “Me falaram que dentro de casa ela é calma. Só quando está na rua, com os amigos, tem atitudes assim”, diz. Segundo ele, outra menina também foi ameaçada pela mesma adolescente.

O caso já foi encaminhado à Delegacia da Infância e Juventude (Diju) de Bauru e as duas adolescentes foram intimadas. Elas serão ouvidas e a infratora ficará à disposição do Ministério Público. A delegacia atende a casos de agressões entre adolescentes, mas os envolvendo arma são mais raros.

Complexidade

Para o psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor do Instituto de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP), só o ciúmes não é suficiente para desencadear uma agressão. “É um quadro complexo, que precisa de mais ingredientes para se chegar a uma agressão. O ciúme por si só não ocasionaria uma atitude extrema como a que a adolescente teve”, explica.

Segundo Silva, um temperamento explosivo aliado ao ciúme, por exemplo, poderia resultar em agressividade. A família poderia auxiliar, preventivamente, ficando atenta à conduta da adolescente. Além disso, valores contra a agressão são importantes para a educação dos adolescentes.

Em matéria publicada pelo JC no mês passado, dados da Delegacia da Infância e Juventude (Diju) apontaram aumento da violência entre jovens de 12 a 18 anos em Bauru. A cada 2,7 dias, um adolescente comete ato de violência com boletim de ocorrência registrado. As lesões corporais correspondem a 35,8% dos atos infracionais cometidos pelos jovens. O número é quase 27,5% maior do que os casos de porte, tráfico ou uso de entorpecentes.

Na semana passada, alunos de uma escola pública entraram em luta corporal no meio da rua, mas a intervenção de dois funcionários do colégio e de policiais militares evitou uma confusão ainda maior. Na mesma semana, a polícia abordou um automóvel que estava próximo a uma escola e foram encontrados uma barra de ferro e um porrete de madeira. Segundo a polícia, os artefatos seriam usados no provável confronto entre os alunos dos colégios.

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