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Automobilismo: Alonso insinua ter sido sabotado pela Renault

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Xangai - Fernando Alonso perdeu a paciência. Ainda irritado com a perda da liderança do Mundial de Fórmula 1, no domingo, e às vésperas do Grande Prêmio que pode decidir o campeonato, o piloto aproveitou uma entrevista à imprensa espanhola e resolveu atirar pesado contra a própria equipe. De contrato assinado com a McLaren para a próxima temporada, Alonso insinuou que está sendo sabotado pela Renault, time em que atua desde 2002 e que o projetou na F-1.

Segundo ele, gente de dentro da equipe não quer que ele leve para a McLaren o “1”, deferência concedida pela FIA ao campeão do ano anterior. Caso Michael Schumacher ganhe o título, nenhum carro carregará a homenagem em 2007 - a Ferrari, nesse cenário, levaria os números 0 e 2.

Questionado se os integrantes da Renault ficaram tristes após sua derrota no GP da China, Alonso foi ácido. “Alguns ficaram. Mas outros estão bem contentes porque superamos a Ferrari no Mundial de Construtores e também porque assim não vou levar o número 1 para nenhuma outra equipe.”

Ele foi duro ainda ao comentar a decisão da Renault de mandar Giancarlo Fisichella passá-lo na 30ª volta no domingo - até então, o italiano vinha atuando como escudeiro do espanhol, que se arrastava na pista, com problemas de pneus. “Não dá para imaginar, por exemplo, a Ferrari mandando o (Felipe) Massa ultrapassar o Schumacher, por pior que seja a situação (do alemão)”, disse. E, usando novamente a Ferrari como parâmetro, atacou o fato de ter sido usado como “cobaia” em Xangai. “Na Ferrari, é o Massa que faz esse serviço, não o piloto que está disputando o título”, completou Alonso.

O espanhol liderava com folga o GP de domingo até que, na 22ª volta, a Renault o chamou aos boxes para trocar os pneus dianteiros, contrariando o que os outros times vinham fazendo - com a pista úmida, preferiam reabastecer e devolver os pilotos à pista com os mesmos compostos, já aquecidos. Na volta seguinte, Fisichella parou nos boxes. Curiosamente, com o italiano, a Renault seguiu o procedimento padrão.

O resultado é que, com os pneus frios, Alonso perdeu toda a sua vantagem. Foi superado pelo companheiro na 30ª volta e por Schumacher na 31ª. No segundo pit stop do espanhol, novo erro. Um mecânico se atrapalhou para trocar o pneu traseiro direito, e Alonso perdeu cerca de 12 segundos. Nesse caso, há dois agravantes. O primeiro, Alonso terminou o GP a 3s121 de Schumacher e poderia ter atacado o alemão não fosse esse problema. O segundo, o mecânico foi o mesmo que causou seu abandono na Hungria, quando liderava - a porca se soltou, e ele bateu.

Resultado de tantos problemas, Alonso perdeu a liderança do Mundial para Schumacher em Xangai. Os dois têm os mesmos 116 pontos, mas o heptcampeão, que pára após este Mundial, leva vantagem no primeiro critério de desempate, o número de vitórias - sete a seis.

Caso vença o GP do Japão, neste domingo, e Alonso não pontue, o ferrarista já garantirá seu oitavo título mundial. Xangai, porém, viu outra virada. Com os segundo e terceiro lugares de Alonso e Fisichella, a Renault superou a Ferrari no Mundial de Construtores: 179 a 178.

Nos números, o time francês tem até agora o melhor carro da temporada. É isso que deixa o espanhol desconfiado.

Pelé entrega troféu

Pelé foi convidado pelos organizadores do GP Brasil, que acontece no dia 22, para entregar uma taça especial ao alemão Michael Schumacher, que fará sua última corrida na categoria em Interlagos.

“É uma grande honra e alegria para mim representar todos os brasileiros nessa entrega do troféu na despedida do maior ídolo na atualidade da F-1”, afirmou Pelé, em comunicado distribuído ontem. “Nós já tivemos alguns encontros, também em Interlagos, e ele me contou de sua paixão pelo futebol.”

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