A Secretaria Municipal de Saúde está iniciando um trabalho de prevenção da hepatite A em escolas de ensino infantil e fundamental da rede pública, depois da confirmação de um caso da doença na Escola Municipal de Ensino Infantil Integrada (Emeii) Maria de Fátima Lima Figueiredo, na Pousada 1. A hepatite A atinge o fígado e é transmitida de forma viral por meio da água e de alimentos contaminados com fezes.
Há outras suspeitas da doença na cidade que estão aguardando confirmação laboratorial. Os resultados devem sair em até 15 dias, aponta o secretário municipal da Saúde, Mário Ramos. Na Emeii, também conhecida como creche Maria de Fátima, há quatro casos suspeitos, aponta a diretora Santa Irene Devides Bianchi. Segundo ela, estes alunos estão afastados da escola, que atende mais de 100 crianças entre zero e 5 anos de idade.
Diante deste contexto, a Secretaria de Saúde distribuiu panfletos explicativos aos alunos e pais, alertando sobre o que é e como se prevenir contra a hepatite A. Além disto, recomendou medidas preventivas às escolas, principalmente de ensino infantil e fundamental, uma vez que a doença ataca mais crianças. “A orientação principal é manter sempre a higiene, em especial as condições do sanitários, lavar bem frutas, verduras e legumes, fazer a limpeza de caixa d’água e lavar as mãos antes de se alimentar. São hábitos simples que podem ajudar muito no controle da doença”, aponta Ramos.
As orientações já foram adotadas pela creche Maria de Fátima, diz Irene Bianchi. De acordo com ela, em parceria com o núcleo de saúde do bairro a escola promoveu uma palestra de prevenção contra a doença para os pais e redobrou os cuidados com a higiene dos alimentos e banheiros. “Também limpamos a caixa d’água e pedimos para que cada criança trouxesse sua própria caneca para tomar água e sucos”, diz.
A Escola Municipal de Educação Fundamental José Romão, localizada no Núcleo Nova Bauru e próxima à Pousada 1, também distribuiu panfletos explicativos e aumentou os cuidados para prevenir a hepatite A. “Esterilizamos pratos e colheres e estamos higienizando constantemente banheiros e bebedouros”, diz a coordenadora pedagógica Helen Tatiane Zando. O próximo passo, destaca ela, é realizar uma reunião com os pais dos alunos para alertar sobre a necessidade de prevenção da doença. A conscientização é fundamental para evitar um surto ou epidemia da hepatite A, observa Ramos. Segundo ele, a Vigilância Sanitária também foi ativada para avaliar e monitorar a qualidade da água nas torneiras e bebedouros.
As escolas da Pousada 1 e da Nova Bauru não registraram baixa na quantidade de alunos, mas alguns pais estão apreensivos com relação à possibilidade de contágio da doença. É o caso do segurança José Rinaldo Oliveira de Souza, que tem dois filhos matriculados na Emef José Romão. “Estou com medo, mas estou tomando cuidado com a higiene e alimentação”, diz. A auxiliar Mona Aparecida Queiróz Amad, que tem um filho de 5 anos na creche Maria de Fátima, também está preocupada com a doença. “Uma médica deu uma palestra para explicar sobre a doença e falou sobre a necessidade de manter as mãos limpas, não tomar água no mesmo copo, mas eu ainda tenho receio”, diz.
De acordo com o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, diferentemente da hepatite B, a hepatite A não se torna crônica e a maioria dos pacientes se cura. Ele explica que embora as crianças possam ser mais atingidas, em um adulto a enfermidade pode ser mais grave. Segundo Pesce, existe uma vacina para prevenir a hepatite A, mas não está disponível pela rede pública de saúde.