Cuiabá - A Polícia Federal (PF) deflagrou ontem em Rondonópolis (MT) uma operação para desmontar uma rede de proteção ao narcotráfico. Foram presas 24 pessoas ligadas à quadrilha, incluindo quatro delegados da Polícia Civil, nove policiais, um juiz recentemente aposentado e cinco advogados.
Também foram executados 28 mandados de busca e apreensão. Batizada de “Overlord”, referência ao desembarque das tropas aliadas na Normandia (França), na Segunda Guerra Mundial, a operação contou com 120 federais da Superintendência de Mato Grosso e integrantes da Corregedoria da Polícia Civil no Estado.
O trabalho de inteligência que resultou na operação teve início em maio do ano passado, quando a PF passou a investigar a existência de uma quadrilha montada para negociar decisões judiciais para beneficiar traficantes de drogas. O delegado Alex Sandro Biegas, responsável pelos inquéritos da Operação Overlord, afirmou que o juiz aposentado Pedro Pereira Campos Filho foi indiciado por corrupção passiva devido a indícios de que o magistrado estivesse negociando decisões judiciais favoráveis a traficantes de drogas.
Campos Filho, que se aposentou há 30 dias, não teve a prisão decretada, mas acabou preso em flagrante por porte ilegal de dois revólveres (calibres 22 e 38) apreendidos em sua casa. As armas não tinham registros. A PF cumpriu mandado na casa do juiz para apreender documentos sobre negociações de sentenças. Interceptações telefônicas indicaram a suposta participação do juiz. Conforme o delegado, Campos Filhos não foi alvo de escutas, mas traficantes e advogados faziam referência a ele nas conversas gravadas com autorização judicial.
Os delegados também foram indiciados por corrupção passiva. São acusados de favorecer traficantes nas investigações policiais. Elaboravam inquéritos contra o narcotráfico deliberadamente falhos para facilitar o trabalho dos advogados da quadrilha na Justiça. Já os advogados foram indiciados por corrupção ativa e associação ao tráfico de drogas.
No balanço feito pela PF, as pessoas que tiveram a prisão preventiva decretada responderão por tráfico de entorpecentes, associação ao tráfico, corrupção ativa e passiva, prevaricação, concussão, formação de quadrilha ou bando, tráfico de influência, falso testemunho, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional, extorsão e exploração de prestígio.