La Paz - Os choques entre mineiros rivais pelo controle de uma jazida de estanho em Huanuni, no altiplano boliviano, provocaram a morte de mais sete pessoas, elevando para 16 o número de mortos nos últimos dois dias e agravando as críticas contra o presidente Evo Morales pela gestão da crise. Três dos mortos haviam sido feridos nos choques de anteontem. Mais quatro morreram em confrontos hoje de manhã, segundo a Polícia Nacional boliviana. Outros 61 trabalhadores ficaram feridos.
O conflito opõe mineiros organizados em cooperativas privadas e os trabalhadores sindicalizados da empresa estatal Corporação Mineira da Bolívia (Comibol). Desde anteontem o governo tenta negociar o fim da violência. No início da crise, procurou evitar o envio de reforços militares e policiais e costurou uma trégua frágil, rompida pela manhã.
Depois dos enfrentamentos de ontem, finalmente decidiu enviar um contingente de 700 policiais à região. Ontem à tarde, a ABI, agência oficial de notícias do governo, informou que os policiais haviam retomado o controle da região e encerrado o confronto.
Os confrontos ocorrem no distrito mineiro de Huanuni, de 14 mil habitantes, a cerca de 280 quilômetros ao sul de La Paz e a mais de 4 mil metros de altura. A jazida local produz 315 toneladas de estanho de alta qualidade por mês, e os choques ocorrem no momento em que o preço internacional do metal está em alta - quase seis vezes o valor de dois anos atrás.
Ontem de manhã, os mineiros de ambos os lados explodiam dinamite e bombas de fabricação caseira uns contra os outros, algumas vezes separados por apenas 15 metros de distância. De uma montanha que cerca a cidade, mineiros cooperados lançaram três pneus carregados de explosivos em direção ao vilarejo, provocando uma enorme detonação.
O conflito teve início ontem, quando os mineiros de cooperativas privadas tentaram tomar as instalação da mina Posokoni - a mais rica de Huanuni -, onde trabalham mineiros assalariados da Comibol e ligados à Central Obreira dos Trabalhadores (COB), que tem feito uma oposição à esquerda ao governo Morales, embora sem muito sucesso. Em abril, por exemplo, a COB tentou realizar uma greve geral no país em protesto contra o atraso na nacionalização dos hidrocarbonetos, mas o movimento acabou fracassando em toda a Bolívia.