Economia & Negócios

Custo de vida é 400% maior para proprietários de veículo

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Uma notícia nada boa para os donos de carros. A inflação é 400% maior nos bolsos daqueles que têm o “privilégio” de ser proprietário de um veículo. Essa foi a conclusão de uma pesquisa feita pela Agência AutoInforme, que avaliou o custo de vida de quem tem automóveis. Segundo o estudo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indicou elevação de 0,7% no custo de vida de janeiro até a terceira quadrissemana de setembro. Entretanto, nesse mesmo período, a chamada “Inflação do Carro”, mensurada através do Índice de Manutenção do Carro (IMC), atingiu 3,5%, ou seja, 2,8% maior do que a registrada pela Fipe (diferença de 400%).

Uma das razões apontadas para a grande diferença entre a “Inflação do Carro” e a geral do País pode ser explicada pelas altas expressivas do álcool no início do ano. O preço médio do combustível, na primeira tomada do ano, era de R$ 1,47, subiu para R$ 1,64 em fevereiro e chegou a R$ 1,79 em março, meses quando foram registradas as maiores altas na bomba. Os combustíveis têm o maior peso na composição do IMC, pois representam quase 50% do total das despesas que o motorista tem com o carro.

Ainda conforme a pesquisa da AutoInforme, em setembro alguns produtos tiveram altas expressivas, caso da bateria, que ficou 9,1% mais cara, e do seguro total, que subiu 1,5%. Os itens que mais caíram de preço em setembro foram o serviço de cambagem (-5,8%), o jogo de amortecedores (-3,7%) e o filtro de ar (-3,4%). Já os combustíveis, no mesmo mês, também apresentaram queda: o álcool ficou 3,2% mais barato e a gasolina teve queda de 0,19%.

O economista bauruense Wagner Ismanhoto cita outros fatores para explicar o impacto diferenciado da inflação. “Ela é muito segmentada e a composição dos itens avaliados é muito subjetiva. Por exemplo, quando se diz que a cesta básica não subiu o preço, não quer dizer que minha vida é feita só de batata, arroz e feijão, pois também ando de ônibus ou tenho um automóvel que gasta pneus e outros componentes. Quando se divulga um índice de inflação, ela é muito segmentada e é claro que quem tem automóvel teve uma inflação observada muito maior que o índice oficial”, enfatiza.

“Da mesma forma, poderíamos ter encontrado outra pessoa que não tenha automóvel e só ande de ônibus cujo índice relativo ao carro para ele não reflete sua realidade. Quem tem automóvel tem custos muito superiores aos analisados oficialmente pelo governo e o impacto da inflação depende do segmento avaliado”, acrescenta o economista.

Custo-benefício

O eletricitário paulistano Ângelo Pereto Sobrinho, que reside em Bauru há sete anos, concorda com as conclusões da pesquisa da Agência AutoInforme, mas faz ressalvas. “Encaro o carro com um fator a mais de despesas, principalmente com o combustível e a manutenção. Por isso, efetivamente o estudo tem razão ao apontar que os donos de automóveis sofrem mais com uma inflação maior. Entretanto, entendo que teria um ônus financeiro muito maior se não possuísse um veículo”, pondera.

No entanto, Sobrinho argumenta que, apesar de ser mais pressionado pela inflação, o dono de carro tem a vantagem de usufruir do grande custo-benefício do bem. “É por isso que muitos acabam não sentindo esse impacto negativo da inflação, pois os benefícios gerados pelos automóveis são muito maiores que os custos obrigatórios. Minha vida sem um veículo, por exemplo, seria mais complicada e onerosa financeiramente, pois teria de gastar com transporte escolar para meus filhos e com meu deslocamento ao trabalho, entre outros itens”, avalia o eletricitário.

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