A região de Bauru tem um médico para cada grupo de 716 pessoas. A relação é menor do que em outras regiões de porte semelhante, como no caso de São José do Rio Preto, que tem um profissional para 478 moradores. Os números respeitam o estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza como satisfatório um médico para cada mil habitantes.
No entanto, se mais profissionais atendessem na região, as dificuldades enfrentadas pela saúde pública municipal seriam dissipadas, avalia o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, Cláudio da Silva Gomes. A análise dele não é compartilhada pelos médicos consultados, para quem um número maior de especialistas não garante, necessariamente, atendimento adequado.
“Bauru está dentro da média. O que precisa é ter médico no lugar certo. Hoje o poder público não consegue contratar, paga mal. Saúde precisa de investimento e o pessoal precisa achar isso importante”, diz o infectologista Marcelo Pesce, sem entrar no mérito se o problema é do município, Estado ou União.
Mas se o volume de profissionais fosse maior, em função da concorrência haveria quem aceitasse salários mais baixos, pontua Gomes. “Se as condições (de instalação) não são boas, não adianta ter um ou 200 médicos. O atendimento será o mesmo”, diz o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhães.
Recursos humanos
Porém, para o coordenador do conselho de saúde, a estrutura ofertada pela Saúde em Bauru é satisfatória. O problema tropeçaria nos recursos humanos. “O médico é um profissional importante, mas não faz nada sozinho. Tem desdobramentos. Ele precisa de uma equipe”, comenta Pesce. A posição dele é a mesma defendida por Carvalhães.
Para o presidente do sindicato, o que deve haver é uma harmonia entre a quantidade de especialistas e a demanda. Para tanto, o Conselho Municipal de Saúde sugere à administração municipal a viabilização de convênio com universidades. Deste modo, seria possível implementar na cidade um programa de residência médica.
“Nessas cidades (Botucatu, Marília e São José do Rio Preto) tem faculdade de medicina”, conclui Gomes, ao comentar a diferença a favor na relação médico/habitante.
Mesmo sem universidades, o número de profissionais que atendem na região de Bauru poderia ser maior, não fossem os municípios próximos muito pequenos, onde especialistas normalmente não se fixam, pondera o médico fiscal do Conselho Regional de Medicina (CRM), Pedro Luiz Pereira.
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Readequação salarial
O titular da Secretaria da Saúde, Mário Ramos, admite a necessidade de readequação do salário de médicos que prestam serviço na rede municipal. De acordo com ele, a medida está nos planos da prefeitura. “Vamos lutar para fazer em 2007”, comenta.
Ele também tem interesse em firmar parcerias com universidades de medicina, iniciativa que viria favorecer o atendimento na cidade. Conforme o JC publicou, a Faculdade de Medicina da Universidade de Marília (Unimar) sinalizou a possibilidade de transferir-se para Bauru. Tanto que a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) pretende oferecer espaço, de 72.600 metros quadrados, para a viabilização do câmpus.
Trata-se de uma área sem construção do terreno onde funciona o Hospital Manoel de Abreu. A questão será discutida na próxima terça-feira, quando a entidade e a reitoria vão tratar oficialmente da parceria.