Metade da nova bancada de deputados federais por São Paulo é composta por veteranos. Tomando-se a lista de deputados eleitos em 1994, 1998 e 2002, nada menos que 33, entre os 70 eleitos, já tiveram pelo menos um mandato na Câmara. Isso sem contar o líder dos votos, o ex-governador Paulo Maluf, o deputado que disputou a presidência com Tancredo Neves, em 1984.
Esses deputados costumam estar entre os mais influentes do Congresso. Pela lista dos mais influentes do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), 9 dos 14 deputados paulistas com maior liderança foram reeleitos – quatro ficaram de fora (Delfim Netto, do PMDB, Fleury, do PTB, Luciano Zica e Greenhalg, do PT) e um, Alberto Goldman (PSDB), foi eleito vice-governador.
Um dado chama a atenção quando se analisa a lista dos veteranos eleitos em comparação com a daqueles que não conseguiram uma vaga em Brasília: aqueles que trocaram pelo menos uma vez de partido foram muito mais rejeitados pelo eleitor do que os deputados “fiéis” – os que, pelo menos desde 1994, mantiveram-se sempre no mesmo partido.
Nada menos que 15 dos 31 veteranos que não foram eleitos trocaram de partido. Em alguns casos, como o de Fantazzini (PSOL), por motivos ideológicos – no caso, a criação de outro partido. Em outros, a maioria, os motivos são obscuros. Entre aqueles eleitos, a proporção foi bem maior: apenas oito dos 33 deputados veteranos eleitos trocaram alguma vez de legenda, desde 2004.
Um caso exemplar de punição da infidelidade pelas urnas foi o de Delfim Netto. Tivesse ficado no PP, teria sido eleito, na esteira dos votos de Paulo Maluf e Celso Russomanno. Como trocou o partido pelo PMDB, ficou de fora. Salvador Zimbaldi, eleito com quase 200 mil votos pelo PSDB em 2002, optou pelo PSB – e também não voltará a Brasília em 2007.
Em 2002, com 1,5 milhão de votos, Enéas conseguiu eleger mais cinco deputados do Prona. Três deles foram para o PP e um para o PL. Todos tiveram votações muito baixas e voltarão ao anonimato. O único que se manteve no Prona, Elimar Damasceno, quase foi eleito novamente e ficará na primeira suplência.
A proporção de reeleição dos veteranos que não trocam de partido desde 1994 seria maior não fosse a diminuição da bancada petista. Como o número caiu de 18 para 14 deputados e houve renovação interna, muitos ficaram de fora: Professor Luizinho, Greenhalg, Ângela Guadagnin, Durval Orlato, Iara Bernardi, Telma de Souza. Outro que não foi reeleito, Jamil Murad (PC do B), estava na mesma chapa.
Entre os deputados que continuarão ou voltarão para Brasília, quase todos os que tiveram melhor votação têm tradição de fidelidade partidária. As exceções são Celso Russomanno, que em 1994 foi eleito pelo PSDB, e Doutor Pinotti, o11.º mais votado, eleito naquele ano pelo PMDB. Luiza Erundina, que trocou o PT pelo PSB antes de 1994, acabou tendo uma votação melhor do que a de todos os deputados petistas .