Tribuna do Leitor

Tribuna do leitor 08/10/2006


| Tempo de leitura: 21 min

Prolongamento da avenida Nações Unidas

Li a reportagem a respeito da possível continuidade das obras da avenida Nações Unidas e, com certeza, mas com muita paciência, teremos o fato realizado em seu total. Em si, a obra é importantíssima para a nossa cidade.

Agora, todos deveriam se interessar para que parte da obra já construída venha a ser rapidamente iluminada, propiciando aos usuários uma via com mais segurança, pois hoje é temeroso transitar no período da noite. Há também no local bastante lixo, que precisa ser retirado, pois contrasta com o investimento já realizado.

Com a palavra as autoridades de Bauru, que acreditamos tomarão providências e acharão a solução para o assunto, quando analisarem a necessidade dessa melhoria para a cidade. Aproveito também para parabenizar o sr. Pedro Tobias pela vitória nas urnas, e desejar que cada vez mais seja exemplo para todos os cidadãos de nossa cidade e da região. Pedimos que, dentro do possível, ajude-nos a resolver sobre o assunto citado, ao qual agradecemos.

Luiz Minorello Neto - CPF 071.331.208-44

Respondendo a resposta da CPFL

Venho a público agradecer a assessoria de imprensa da CPFL, por ter tido a preocupação em responder e esclarecer não somente a mim como também a todos os leitores deste jornal, deixando bem claro quem são os verdadeiros responsáveis por tanta falta de consideração ao cidadão. Publicando que em primeiro lugar são os vereadores que aprovaram a lei sobre a contribuição para iluminação pública (CIP), e, em segundo lugar a prefeitura, principalmente os engenheiros que lá trabalharam na época da colocação dos postes, que orientaram equivocadamente os funcionários da CPFL, deixando-os colocarem os postes no meio da rua. “Sobrou para os engenheiros a culpa.” É possível isso?

Só em Bauru mesmo para vermos tamanho absurdo, mas tenho fé que na próxima eleição municipal o povo saberá dar o troco, a todos os políticos que trabalham contra o povo, principalmente contra os mais pobres.

Edson Anaia Martins - RG 12.329.255-4

A APAE Bauru Agradece

“Quem planta solidariedade colhe um mundo mais feliz e colorido”...

O êxito da XXIX Feira da Bondade da Apae Bauru é fruto de um trabalho persistente, perseverante e cheio de amor e respeito, conforme os ensinamentos de Senhor Nosso Deus, que nos pede para trilhar o caminho da solidariedade.

Irmanados, a família Apaeana e todos os segmentos de Bauru têm sido fiéis à prática destes ensinamentos, daí é que conquistamos harmoniosamente vitórias como a que tivemos recentemente com a realização da XXIX Feira da Bondade, na superação de nossas expectativas. A somatória da contribuição de cada um com sua riqueza e individualidade nos beneficiou com três dias coroados de alegria, nos alavancando para a continuidade do exercício da prática da cidadania.

Elencar colaboradores é totalmente impossível, pois iremos pecar, e muito, portanto, reportamo-nos à Associação Rural do Centro Oeste-Arco, que gentilmente tem nos cedido o espaço físico para realização do evento, para externarmos que as palavras nunca serão suficientes para emanarmos nossa gratidão, mas sim nossas ações compromissadas em direção àqueles que delas necessitam, dentro da fidelidade de manter uma Apae grandiosa, fortalecida pelo atendimento repleto de respeito aos nossos usuários, garantindo-lhes assim os seus direitos, proporcionando-lhes uma Melhor Qualidade de Vida.

Ao Senhor Nosso Deus rogamos a permanência da união fraternal para que todos juntos possamos sempre servir em Seu Nome.

Pelas conquistas e vitórias almejamos a todos Saúde! Saúde! Saúde!

Olga Bicudo Tognozzi - presidente da Apae-Bauru

Dançar...

Dançar é um ato do corpo de reproduzir sentimentos, medos, paixões, tudo aquilo que muitas vezes perante a sociedade não podemos demonstrar por medo de não ser aceito ou vergonha de se expor, você se transforma com maior naturalidade e euforia, é uma mistura de sensações inexplicáveis. Dança coreografada ou improvisada, tanto faz como será feita e movimentada, os movimentos gritam saindo do corpo, a música toca na alma e a felicidade do momento se transforma em sorriso... Enfim, não tem nada que explique, além de Dançar! Experimente....

Luciana Pola Silva - estudante de Educação Física

A violência no trânsito!

Observando o trânsito de Bauru durante algum tempo, tenho notado o desrespeito dos condutores de veículos, seja de carros, ônibus e caminhões. Alguns pontos críticos se concentram nas rotatórias de acesso as avenidas, rodovias e nos cruzamentos, onde já não existe mais a preferência do condutor que trafega na via, tendo esse que diminuir ou até mesmo frear seu veículo na própria via para evitar uma colisão com motoristas que simplesmente ignoram os veículos que estão trafegando na via. Olham somente para o lado que lhes interessa e entram na via com imprudência.

Mas muitos casos não se restringem somente aos condutores que entram nas vias sem se preocupar com os veículos que nela trafegam, porque hoje em dia também não se respeitam as placas de sinalização, o que dá a entender que essas placas, que tem o objetivo da orientação aos motoristas, não significam nada para os condutores imprudentes e os semáforos se transformaram em pontos de arrancadas, as luzes de sinalização do semáforo já não representam mais nada.

Muitos condutores não usam mais as setas de sinalização, ou se quer tem o cuidado de olhar pelos espelhos retrovisores de seu veiculo, forçando o motorista que trafega atrás, simplesmente ter que adivinhar o que o veiculo da frente irá fazer. Condutores que estacionam em qualquer lugar, não respeitando faixas amarelas, guias rebaixadas, estacionam em cima das calçadas, na contra-mão, ao lado das placas de advertência e até mesmo aqueles que estacionam bem no final da esquina impedindo a visão do condutor que necessita seguir ou virar uma esquina. Existe também o desrespeito de alguns motoristas de ônibus e caminhões que se aproveitam do tamanho do seu veículo para realizar movimentos perigosos que podem causar colisões.

As fechadas e as cortadas tornaram-se rotineiras, assim como a pressa dos condutores que insistem em dar luz alta e buzinar freneticamente para os veículos que se encontram a sua frente, na qual procuram trafegar bem perto do veiculo que está à frente, forçando uma ultrapassagem desnecessária e perigosa. Em vias que permitem a velocidade de apenas 60 km/h, muitos condutores trafegam em alta velocidade, não se importando com os pedestres, nem mesmo com os radares. Muitos agem como se não soubessem.

É preocupante saber que grande parte desses imprudentes realizam atos perigosos no trânsito de forma consciente, eles sabem que estão errados, mas infelizmente ignoram as regras, as leis. Essas pessoas se transformam em matadores e suicidas ambulantes. É necessário evitar os perigos existentes no trânsito, dar mais valor a vida, ser mais paciente, prudente e cabe aos órgãos competentes formular leis que possam ser mais coerentes, bem como preparar e orientar muito bem o condutor de veículo. É preciso resgatar a consciência do verdadeiro cidadão respeitador, e assumir nosso papel diante da sociedade para que possamos conviver em harmonia. (Valdir Moreira - estudante de Geografia/Bacharel RG 21.611.110)

Quem é o responsável?

Freqüentamos a Igreja Universal toda terça, sexta e domingo à noite, eu, minha filha e minha neta. Ao retornar para o nosso bairro, nos dirigimos à quadra 2 da avenida Rodrigues Alves para “pegar” o ônibus para a Nova Esperança e já há alguns dias o odor proveniente de alguns salões que estão sem portas é horrível, um absurdo, servindo de “banheiro”, de esconderijo de marginais, de mendigos, de vagabundos que entram para fumar drogas, de prostitutas etc.

O caso é que nós não conseguimos nem respirar, face o cheiro insuportável de fezes, de urina etc. Com quem devemos reclamar? Não é só no meu caso, à noite, só o pessoal da igreja são mais ou menos 30 pessoas esperando ônibus ali. Não entendemos como a polícia ou algum órgão ligado à saúde ou à prefeitura, não procura os responsáveis ou o proprietário daqueles salões para uma limpeza ou fechamento daquelas portas, pois não dá para se conformar com aquilo ali, em pleno centro da cidade de Bauru. É uma lástima, é um descaso com a saúde humana, e por isso achei melhor escrever para esta coluna, tão conceituada, e pedir até para este jornal mandar fotografar e documentar aquela imundície.

É um péssimo exemplo de cidade, organizada, limpa e bonita para moradores não só de Bauru, mas também de moradores e estudantes de cidades da região que desembarcam ali. Por favor, em nome de milhares de pessoas, com urgência, tomem as devidas providências; desde já eu agradeço a este conceituado jornal.

Rosa Cristina Soares - RG 14.812.154-8

Em defesa da vida! Aborto, não!

Em 3 de outubro último, ao ler carta na página 26, deparei-me com uma verborragia desenfreada e disparatada em defesa da luta pela descriminalização do aborto, sem razão de ser, nivelando as mulheres a rés do chão.

Uma série desencontrada de alegações como “luta das mulheres para ter o direito de decidir sobre o próprio corpo”, “imposição de tabus às mulheres pelo sistema capitalista gerando peso na consciência”, “pecha de objeto de reprodução sexual”, “ser mãe, gerar, cuidar de filhos é se anular e criar outros seres humanos para a sociedade corromper”, “desnecessidade da mulher ser aquela que salva e dá a vida”, etc...

O que vimos nessa manifestação é um verdadeiro desprezo pelos valores morais e, principalmente, a desvalorização da vida!

Alega a senhora ter direito de decidir sobre querer ou não ser mãe, optar por família ou profissão, escolher o caminho a seguir. Mas, onde fica o dom divino de gerar um filho, predicado único das mulheres?

O que não podemos aceitar é que, após a escolha feita (entenda-se: responsabilidade pelo ato), quando optou por sensações efêmeras obtidas em ato sexual descompromissado, a mulher, só ou junto com o parceiro, opte por realizar o aborto, destruindo uma vida, como se nada fosse, como se o feto, em breve um bebê, uma criança, fosse apenas um fardo, um amontoado de células sem importância, a lhe dar despesas, enjôos, noites mal dormidas, etc. Não podemos tapar um buraco abrindo outro!

Avaliação errada, desequilibrada, eivada pelo desamor! Uma criança gerada, sempre carrega consigo algo mais que o corpo físico, traz também um espírito com muitos conhecimentos e compromissado com aqueles que lhe trouxeram à vida! É tesouro de inigualável valor, que a terra não corrói! O problema social do aborto clandestino não é problema só do Brasil, mas mundial! O desprezo pelos valores morais é pandêmico!

Não podemos culpar terceiros por nossos atos, classificando-os burgueses. Como culpar só o governo por ausência de políticas públicas de saúde se, sequer exercemos a plenitude de nossa cidadania? Se na hora de votar escolhemos mal ou sequer escolhemos, usando da justificativa para o seu não exercício? É certo que reconduzimos velhas raposas para cuidar do galinheiro.

O número de aborto no País é aterrador. Em 1980, para cada 100.000 abortos realizados, 400 gestantes iam a óbito por complicações as mais diversas. Já em 2002, para cada 100.000 abortos realizados, esse número caiu: apenas 100 gestantes pereciam. Entretanto, não podemos esquecer que 100.000 seres humanos, estatisticamente, continuaram a ser mortos pela brutalidade, desfaçatez, desrespeito dos pais em face desses serem indefesos, que sequer puderam expressar seu desejo de viver. Como justificar que, para não sacrificar incerto número de gestantes, seja lá qual for, tenhamos que aceitar o sacrifício de 100.000 - isso mesmo!!! - 100.000 crianças, totalmente indefesas, incapazes de balbuciar palavra ou reação em busca da vida?

Por fim, quero dizer à missivista: a mulher pode livremente optar pela maternidade, pelo direito de ter filhos, aliás, isso já está garantido constitucionalmente. O que não podemos aceitar é que, depois da opção feita pela gestação de um filho, consciente ou não, por ato impensado ou não, pelo exercício da sensação em lugar do sentimento, a mulher, que tanto lutou por seus direitos se rebaixe, mate outro ser humano gerado em seu ventre, sem chances de defesa à vítima, como se animal fosse.

Aliás, é bom lembrar: essa vida também está protegida pela Constituição e demais codificações infraconstitucionais (Código Civil, Estatuto da Criança e do Adolescente, etc.).

Como diz um antigo ditado caipira: “quem come o milho tem que dar conta do sabugo”.

Que Deus lhe permita reflexões a respeito do direito à vida!

Diga sim à Vida!!! Aborto, não!!!

José Eduardo Foganholo - OAB/SP 202.123

Resposta ao sr. Ademir Rafael

Caro eleitor. Não sei se percebeu, mas em sua carta de 4/10/2006 acabou me rotulando, e como você mesmo escreveu, quem preza pela honestidade não rotula ninguém. Na carta de 30/9/2006, em momento algum me referi ao representante da Nação, mas ao candidato do PT à Presidência. Essa mistura que se faz entre o presidente e o candidato, entre o público e o privado, entre o que é do partido e o que é do povo, é que deu origem ao governo mais corrupto da história do Brasil. Isso já é consenso. Pelo dicionário, covardia é sinônimo de medo e foi isso que Lula teve ao enfrentar os outros candidatos e os cidadãos diante das câmeras na Globo. Discordo do sr. ao se referir que o debate é só para angariar os indecisos.

O debate serve também para prestar contas sobre a roubalheira (mensalão, sanguessuga, dólar na cueca, Okamoto, dinheiro do dossiê, furnas, correio, Banco do Brasil...). A trajetória do candidato Lula foi a mesma do caseiro Francenildo, ambos vindo de famílias simples do Nordeste, porém, enquanto o primeiro sobreviveu às custas de partido político e de sindicato, o segundo teve que batalhar muito para ao final ser covardemente massacrado pelos companheiros de Lula, seu conterrâneo.

O papel de um cidadão em um regime democrático não é o de apresentar provas, mas de fiscalizar o governo. A esse respeito, nunca tive medo e nem rabo preso, ao contrário dos mensaleiros e sanguessugas do PT, mas isso vai acabar no dia 29 de outubro quando o povo brasileiro irá dar uma resposta a toda essa corrupção e a todos que defendem e compactuam com ela. Apesar do candidato à reeleição ameaçar os famintos dizendo que se não ganhar vai acabar a bolsa família, o povo brasileiro vai mostrar que não tem medo elegendo Geraldo Alckmin presidente do Brasil.

Luiz Eduardo Penteado Borgo

Vida x aborto

No dia 3 de outubro de 2006, lendo “A Tribuna do Leitor”, me surpreendi ao ver uma mulher defendendo o aborto e sua legalização com unhas e dentes.

Não entendo como podemos pensar em dispor da vida humana com tanta naturalidade. Ou agir como se a gravidez, não desejada, fosse uma doença necessitando de cura.

Deus deu a todos o “livre arbítrio” para optar por qual caminho seguir, e, ao mesmo tempo, deu à mulher, unicamente a esta, a bênção de ser mãe. No nosso Brasil, “crianças” são estupradas, muitas vezes pelos próprios pais e acabam engravidando, ou até mesmo nos casos de feto anencéfalo já se tem o amparo judicial para o devido aborto, em clínica especializada e determinada pelo próprio juiz, com toda assistência possível. Para que, então, legalizar o aborto, mesmo que esse seja o “último meio contraceptivo”?

Temos sim o direito ao nosso próprio corpo, mas não acho que o aborto seria a solução para a falta de educação e consciência do nosso povo. Sem falar na falta de infra-estrutura do nosso sistema único de saúde que iria atender essas mães, sem leitos e sem os devidos cuidados. Elas iriam aparecer aos montes, procurando pela cura para seu mal. Se o aborto fosse juridicamente protegido, com base no direito ao próprio corpo, por que não admitir o uso de drogas e entorpecentes ou até mesmo a pena de morte no Brasil? Já que a vida está sendo banalizada, entendo ser possível essa tese.

Tenho bases espíritas e sei que para ocorrer um nascimento, por mais simples que nos pareça, se tem todo um preparo do plano espiritual para o nascimento deste “não tão novo” ser, e que simplesmente, por ter direito ao próprio corpo, essa mãe destrua os sonhos e prorrogue os débitos a serem resgatados pelo nascituro.

Vamos lutar, sim, mas pela vida humana, pelo direito daquele que ainda não pode dar seu parecer. Vamos lutar para que a vida não fique à mercê das mãos falhas dos humanos!

Adriana de Lima Cardozo - RG 45.239.466-1

“Ninguém merece”

Foi com muita alegria que estive ontem , dia 21 , às vésperas da chegada da estação das flores, - a nossa esperada e enternecedora Primavera – no Teatro Municipal , onde desfilaram no palco algumas “rosas” de raro talento, exalando no ar o sublime perfume das artes, ao mesmo tempo que mostravam na magia do entretenimento, a força da mensagem, o humor e a desesperança, extraídos do atroz cotidiano de quatro presidiárias, confinadas à própria sorte numa solitária cela de prisão . Falo eu da peça teatral “Ninguém merece”.

Focando o drama social que a hipócrita sociedade elitista hodierna ignora ou finge ignorar, Vanessa Tencati, Mireli Ribeiro, Juliana Lucilha, Lidiane Lunardelli, Débora Tonon e Janaína Antunes chamam a atenção de todos os espectadores para que percebam a crueldade do sub-mundo do crime, das drogas, da pobreza, enfim, da triste realidade daqueles que enveredam por esse maldito caminho .

Interpretações brilhantes dosam a jocosa convivência delas no presídio, mescladas com os fortes e realistas diálogos que revelam os seus dramas. E já que estamos falando de flores e da iminente Primavera, não poderia me esquecer dos “cravos” Juliano Dip e Tiago Toledo, que fazem parte do elenco de roteiro e apoio. Parabéns a todos pela excelente performance e pelo empenho em transmitir, com graça e inteligência, um panorama real da situação de muitos e muitos brasileiros.

Fica aqui também minha reivindicação ao governo municipal, que poderá, junto à Secretaria da Cultura, viabilizar maior apoio e incentivos a esses jovens talentos de nossa cidade , criando projetos que possibilitem difundir de maneira ampla e efetiva esta maravilha chamada Teatro.

Fernando Lucilha Júnior - RG 5.023.414

Manter a esperança, defender as conquistas e combater pelo socialismo

Agradeço a todos os apoiadores de nossa candidatura em mais um processo eleitoral, e a todos que nos confiaram mais uma vez o voto o empenho e a dedicação em mais esta jornada. Apesar dos nossos votos nominais terem sido insuficientes para conquistar o mandato, eles foram suficientes para consolidar uma posição política, agrupar novos militantes socialistas, principalmente jovens. Nosso desempenho eleitoral não pode ser desvinculado das posições políticas que apresentamos, onde não fizemos nenhuma concessão de princípios para conquistar votos a qualquer preço. Influenciou neste desempenho também, a grave crise que atingiu e ainda persiste no interior do Partido dos Trabalhadores no Estado de São Paulo, especialmente em Bauru.

As denúncias de atos de corrupção, envolvendo direções e militantes partidários, só fizeram agravar este quadro a partir de 2005, e foram adubo para o ressurgimento do anti-petismo no Estado, nas eleições de 2006. O anti-petismo veio também temperado com fortes conotações de xenofobia, o que também observamos em Bauru.

Em São Paulo, o PT subestimou o projeto do PSDB que se mantêm por mais de 12 anos à frente do governo estadual e lhes permite o controle da administração de muitas cidades paulistas, ancorado numa maioria parlamentar que sufoca a Assembléia Legislativa. Nunca é demais lembrar que Geraldo Alckmin bloqueou 70 pedidos de CPI, inclusive a solicitada pelo deputado reeleito Pedro Tobias, quando exercia o mandato pelo PDT.

As eleições são um terreno amplamente deformado. São propositadamente transformadas em um grande circo, principalmente pelas “elites regionais”, que praticam toda sorte de embustes, para manterem e preservarem sua hegemonia e controle sobre os aparelhos do Estado. Desta conspiração não escapam nem aqueles que ocupam posições nas instituições republicanas do Estado que acabam por ser lenientes no exercício de suas funções. Prevalece o compromisso e o interesse de classe.

Todos os processos eleitorais se transformam também em vasto material para análises de cientistas políticos, muitos deles charlatões, que do alto de uma pseuda intelectualidade tentam decifrar as mais fundas motivações da alma do povo. A maioria, infelizmente se recusa a colocar nas analises as relações de classe, para com substância provocar o debate.

Fizemos isso mais uma vez neste processo eleitoral, sabendo claramente as dificuldades que enfrentaríamos por nossa posições, e por também enfrentar candidaturas com grande poder econômico que representam os interesses das elites locais , estaduais e nacionais, que numericamente é bem inferior à massa de homens, mulheres e jovens que compõem as classes subalternas. Para conquistar os votos necessários, precisam praticar toda sorte de malabarismos eleitorais irrigados por muito dinheiro, prática que infelizmente é realizada por muitos integrantes do PT que mudaram de lado e mudaram de posição.

Ontem, 7/10, as 15h, na sede do Sindicato dos Ferroviários, rua Cussy Júnior, 3-40, todos os militantes e simpatizantes que estiveram conosco nesta campanha realizaram plenária onde foi discutido e debatido o conteúdo das ações que vamos desenvolver para derrotar o PSDB e Geraldo Alckmin no segundo turno.

Roque Ferreira - RG 9.656.049

A tal limonada

Os livros de auto-ajuda e os consultores motivacionais, como Flávio de Angelis (melhoras!), sempre nos dizem que temos que transformar em uma doce limonada os limões azedos que as vicissitudes da vida nos oferecem.

No último fim-de-semana, os bauruenses tiveram um belíssimo exemplo do que isto significa: a apresentação da bachiana Chamber Orchestra, no Teatro Municipal, regida magnificamente por João Carlos Martins.

Pianista de renome internacional perdeu parcialmente o movimento das mãos, porém, transformou esta tragédia em aprendizado e aprimoramento pessoal e começou estudar regência, o que faz hoje com uma paixão e energia emocionantes.

Simpático e bem-humorado conversou com o público durante toda a apresentação, explicando didaticamente os atos musicais apresentados e contando casos e histórias de vida.

Com vigor, força e carisma, o maestro convocou o que chamou de “o verdadeiro quarteto mágico”, introduzindo a doçura de “Jesus Alegria dos Homens”, composição de Bach, passeando por Mozart, Beethoven, e Brahms, acompanhado vivamente por todos os competentíssimos músicos da orquestra. Coroou a apresentação com um comovente Hino Nacional ao piano, usando os dedos não atingidos pelas lesões. Bravo, bravíssimo!

Oportunidades como esta, de apreciar boa música e disseminar cultura para a população, são raríssimas, e nesse caso parabenizo a empresa Telefônica, pela iniciativa louvável, e a Prefeitura Municipal de Bauru e Secretaria de Cultura pelo apoio. Obs: Mestre João Carlos, continue nos servindo limonadas. Elas são deliciosas. (Simone Pereira Borges - RG 24.850.235-9)

O paradoxo de Zé

Zé assiste a propaganda eleitoral. O candidato lhe oferece obras: metrô, hospital, casa de alvenaria, escola, emprego. Zé pensa a respeito. Ele mora na favela, tem filhos, está desempregado e sua mulher doente. Zé ouve o candidato dizer que, com suas obras, gerará emprego. “Sub-emprego”, pensa Zé. Além de ser carregando pesos inumanos, e isso no futuro trará problemas na coluna, ele só pode pensar que quando acabar a obra um grande pé em sua bunda será dado, piorando a situação da sua coluna.”Este cara está me enganando”. No outro dia o candidato diz que fará um túnel enorme (adoram dar as dimensões). E neste túnel passará um metrô “Bom, chegarei mais rápido em casa”. Zé ainda não terá seu emprego descente.

No outro “comercial” ele escuta a promessa de que haverá uma escola enorme. Zé olha seus filhos. Fica meio contente...meio! Não ouve deste candidato que mudará a educação. Sabe ele que as aulas são tão desinteressantes quanto os salários dos professores. Fica triste novamente. “Sim está me enganando”.Zé sente um vento frio que lhe arrepia. Este vento não entrou pela porta: ela estava fechada. Mora na favela, casa de madeira.Há frestas. “Assim o ho-mem vê o mundo: por frestas!”. Zé se assusta com seu pensamento.

O candidato diz que fará casas, melhor ainda: apartamentos. Zé se põe a pensar. Continua sem emprego. Talvez consiga o sub-emprego prometido, assim dará uma sub-refeição aos sub-nutridos filhos, que recebem sub-educação. Seus filhos vão á escola. Não aprendem nada, mas vão.E ainda, acredite, passam de ano. Zé assiste de novo a propaganda. Zé olha sua mulher. Ela está doente: Subnutrida. O pior: é fase terminal. Agora o superconstrutor lhe oferece um hospital. Agora, ao contrário de antes, ela tem onde morrer! Terá, se o candidato vencer. Zé se revolta. De repente, não mais que de repente, ele decide: “é hoje!”. Zé pega sua arma. Vai até o local onde se vingará... Pronto! se vingou. Grita Zé: “eu não!”, “eu não!”. Votou. Usou sua arma: o titulo de eleitor. Eis a arma contra os pássaros. Estes são pássaros que nos apresentam cores. Na verdade sua penugem é preta. Sim, são abutres. Sejamos como Zé: Vinguemo-nos!

Sandro Silva

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