Tóquio - A visita do novo premiê japonês, Shinzo Abe, a Pequim e a Seul hoje e amanhã visa a melhorar as estremecidas relações entre o Japão, China e Coréia do Sul. A viagem de Abe é vista como um primeiro passo - bem visto pelos países da região e pelos Estados Unidos - no esforço para melhorar as relações, prejudicadas pelas constantes visitas do ex-líder do Japão, Junichiro Koizumi, ao templo de Yasukuni Shrine, que homenageia os “heróis” japoneses da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O monumento é visto por muitos como “símbolo” do militarismo do passado do Japão. “Apenas o fato de visitar estes países já é um passo importante, que agora se torna possível”, segundo Tomoyuki Kojima, especialista da Universidade Keio, no Tóquio.
Abe, que assumiu o cargo na semana passada, se encontra com o presidente chinês, Hu Jintao, em Pequim hoje, e com o líder sul-coreano, Roh Moo-hyun, em Seul no dia seguinte. “A visita é uma oportunidade de aliviar temporariamente as tensões que permeiam as relações entre Japão e China”, disse Shi Yinhong, especialista da Universidade da China, em Pequim.
Na quinta-feira, Abe reconheceu a responsabilidade dos líderes japoneses que levaram à derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e às atrocidades cometidas pelas tropas japonesas no Extremo Oriente.
Entre os responsáveis, ele incluiu seu avô, Nobusuke Kishi - que foi chefe do Executivo entre 1957 e 1958 e em 1960 - e que, apesar de ser qualificado como criminoso de guerra ao término do conflito, conseguiu evitar a punição e prosseguir na carreira política.
Em discurso no Parlamento na última segunda-feira, Abe evitou admitir a responsabilidade dos criminosos de guerra japoneses condenados ao término da Segunda Guerra pelo Tribunal Militar Aliado para o Extremo Oriente. As declarações dadas ao Parlamento tentaram amenizar a polêmica e readquirir a confiança perdida durante os cinco anos do governo de Koizumi.