Internacional

Sul-coreanos dão tiros de advertência

Folhapress
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Seul - Militares sul-coreanos dispararam ontem 40 tiros de advertência na zona desmilitarizada que separa os dois países para forçar o recuo de cinco soldados norte-coreanos que haviam atravessado a fronteira. O incidente ocorre em meio às tensões geradas na terça-feira pela Coréia do Norte, ao anunciar que se preparava para fazer seu primeiro teste nuclear.

A península do nordeste asiático foi dividida em dois países na altura do paralelo 38 após a Guerra da Coréia (1950-1953), em que se enfrentaram com pesada ajuda externa o norte comunista e o sul pró-ocidental. Só os EUA perderam no conflito 54 mil homens.

Política e diplomaticamente isolada, a Coréia do Norte foi incluída pelo presidente George W. Bush no chamado “eixo do mal’’. O pequeno país diz que a obtenção da bomba atômica corresponde a um meio para se proteger de uma suposta agressão americana.

O incidente de ontem ocorreu por volta do meio-dia, horário local, quando cinco militares norte-coreanos penetraram não mais que 30 metros em território sul-coreano. Informantes do Estado-Maior da Coréia do Sul disseram que os soldados imediatamente recuaram e que não houve feridos. Não está claro, segundo eles, se o grupo procurava testar o sistema de vigilância territorial de Seul.

O incidente, dizem observadores, seria secundário se não fosse a possível iminência da explosão da primeira bomba norte-coreana. Os Estados Unidos acreditam que isso pode ocorrer até segunda-feira, enquanto a China revelou que o teste se daria a 2.000 metros de profundidade, numa mina desativada.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) publicou anteontem uma advertência à Coréia do Norte, procurando dissuadi-la de não efetuar o teste da bomba.

O Ministério das Relações Exteriores do Japão divulgou nota em que afirma que “se a Coréia do Norte efetuar o teste, em que pesem as preocupações expressas pela comunidade internacional, o Conselho de Segurança deverá reagir por meio de punições severas’’.

No âmbito bilateral, o Japão, segundo um jornal de Tóquio, adotará sanções como o congelamento de depósitos norte-coreanos em bancos japoneses. O impacto da crise em toda a região do Pacífico é demonstrado pela reação até das Filipinas, cuja presidente, Glória Macapagal Arroyo, afirmou que o teste nuclear “colocaria em perigo a segurança asiática’’.

O jornal japonês “Mainichi Shimbun’’ disse anteontem que a Coréia do Norte estava repatriando o segundo homem de sua representação na ONU, Han Song Ryol, informalmente encarregado de contatos com o governo americano - Pyongyang e Washington não têm relações diplomáticas.

O episódio demonstra que os norte-coreanos estão fechando uma das últimas portas que permitiriam alguma forma tênue de negociação da crise. Han foi procurado em julho por um dos adjuntos do embaixador americano na ONU, John Bolton, que o advertiu sobre a preocupação da comunidade internacional com a intenção de Pyongyang de testar, o que realmente ocorreu, mísseis de longo alcance.

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