Bairros

Bauru tem déficit de 150 mil árvores

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Ao sair andando pela rua num dia de sol forte, um bauruense provavelmente terá dificuldades para encontrar uma sombra sequer para se esconder. Isto porque Bauru apresenta hoje um déficit de aproximadamente 150 mil árvores.

A estimativa é do secretário municipal de Meio Ambiente, Carlos Barbieri. A operação matemática que explica a carência é simples: o secretário, que também é engenheiro agrônomo, calcula em 150 mil o número de árvores existentes em passeios públicos (praças, calçadas) da cidade.

Como a população do município gira em torno de 350 mil pessoas, Bauru teria uma relação árvore por habitante de aproximadamente 0,4. “A proporção ideal, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), é de 1,4 ”, explica ele. Portanto, seria necessário, no mínimo, dobrar a quantidade de árvores disponíveis nas praças e calçadas para que a cidade passasse a apresentar uma situação aceitável, acredita o secretário.

Os dados usados por Barbieri são fruto de um levantamento realizado pela Semma no ano passado no distrito de Tibiriçá, onde foram encontradas pouco mais de 600 árvores em um espaço de aproximadamente 2,5 quilômetros quadrados.

“Pegamos o número e fizemos uma projeção estatística para toda a área urbana de Bauru”, explica ele, que reconhece ser difícil sanar a falta de arborização na cidade. ”Por enquanto estamos longe de atingir essa meta (uma árvore por morador), pois a secretaria não dispõe de recursos para fazer um trabalho tão grande de arborização urbana”, afirma.

Apesar de o “déficit vegetal” atingir toda cidade de uma forma geral, o secretário aponta algumas regiões onde a carência é mais grave. “O Centro é um dos locais onde o problema é maior, já que muitos exemplares foram retirados dali sem que fosse feita substituição adequada”, aponta.

Alguns bairros de periferia, como Pousada da Esperança (localizado na zona norte de Bauru), também sofrem com essa escassez. “Essas áreas foram ocupadas de maneira desordenada, sem que se fizesse um planejamento relacionado às questões ambientais”, lembra a bióloga Fernanda Ribeiro de Franco, do Instituto Vidágua. “São locais onde as pessoas podem caminhar por diversas quadras sem encontrar uma sombra sequer”, reforça ela.

Engana-se, porém, quem acredita que a falta de árvores em passeios públicos seja regra em toda região periférica da cidade. No Núcleo Gasparini (que fica praticamente ao lado da Pousada da Esperança), o verde está em todo lugar. “É o bairro mais arborizado de Bauru. Isso pode ser notado pelo ar mais fresco existente ali”, diz Marcela Mattos de Almeida Bessa, engenheira florestal da Semma, num comparação com a região central da cidade.

Bessa não é a única a relacionar variações climáticas à questão da arborização. Estudo de iniciação científica realizado por Pedro Moraes Trentini, aluno do curso de geografia da Universidade do Sagrado Coração (USC), mostra que o Centro registra média 2,35ºC a mais em relação a partes periféricas da cidade, que costuma contar com maior quantidade de árvores. “Houve dias em que a diferença chegou a 3,5ºC”, diz Trentini, que analisou o fenômeno das ilhas de calor em Bauru.

Em meio a tamanha carência (tanto de árvores quanto de conhecimento sobre regras adequadas para arborização), alguns esforços desenvolvidos em escolas (públicas e particulares) e entidades civis (como o Instituto Vidágua) tentam conscientizar as novas gerações sobre a relevância das questões ambientais.

“Se cada família se desse conta da importância de manter pelo menos uma árvore em frente de casa, seria possível superar essa miséria de arborização existente na cidade”, acredita Barbieri.

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