A falta de reciclagem do lixo doméstico é o principal fator de diminuição da vida útil do aterro sanitário de Bauru. Segundo o diretor de Limpeza Pública da Empresa de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Rubens Sérgio Trentini Duque, das 200 toneladas de lixo que o aterro recebe por dia, metade poderia ser destinada à coleta seletiva promovida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), porém isso não acontece.
Para se ter idéia, a quantidade de lixo reciclável que é recolhido pela Semma é de 60 a 70 toneladas por mês, quantia considerada irrisória pelo secretário de Meio Ambiente, Carlos Barbieri. Isso mexe também com os cofres municipais. De acordo com Barbieri, a prefeitura gasta cerca de R$ 9 milhões com o lixo.
Esse valor cairia praticamente pela metade se houvesse a separação do material reciclável pelos cidadãos, o que também poderia gerar mais empregos. “Hoje são 22 pessoas trabalhando na cooperativa e temos mais 500 selecionadas, que poderiam viver disso se a população colaborasse”, salienta.
O depósito do lixo urbano é feito em camadas sobrepostas com terra, após a saturação. Ativado em 1993, o aterro sanitário está em sua terceira camada. Antes que chegue ao limite, a empresa municipal faz os preparativos para a ativação da quarta camada, que requer acompanhamento de solo mais minucioso.
A explicação é que a área vai perdendo a capacidade de recepção adequada de lixo, sem riscos de danos ambientais. A primeira camada teve vida útil de três anos, a segunda e terceira, de quatro anos e meio. Para a quarta camada, a previsão é de mais três anos. Da forma como está, o aterro sanitário só poderá receber o lixo da cidade até o começo do próximo ano.
Sem separar o lixo orgânico do reciclável, o Município perde tempo e dinheiro na busca de soluções para o aterro sanitário. No começo do ano, ao discutir a terceirização da coleta de lixo, o prefeito Tuga Angerami (sem partido) e o vice-prefeito e, na época, presidente da Emdurb, Renato Purini (PMDB), condicionaram a entrega da coleta de lixo em Bauru, à construção de novo aterro e de uma usina de reciclagem. Como a terceirização foi abortada pela administração, o projeto não vingou.
Vida curta
De acordo com o diretor de Limpeza Pública, o Município pleiteou a quarta camada ao Departamento de Avaliação de Impacto Ambiental (Daia), órgão ligado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, mas já pensa na quinta camada de terra para o local, na tentativa de ampliar a vida útil do aterro.
No entanto, ele alerta que se a postura da população não mudar em relação à reciclagem de lixo, em breve Bauru terá de pensar em outras alternativas, começando pela construção de um novo aterro, em área anexa ao atual. “Se houvesse a reciclagem e compostagem, poderia até dobrar a vida útil do aterro”, diz Duque.
Mesmo a quarta camada não está totalmente garantida, já que o Daia ainda não liberou a construção. Segundo Duque, o procedimento da Emdurb foi saber quais os documentos necessários para a liberação do Daia, para depois fazer o requerimento. “Estamos seguindo várias solicitações para regularização da quarta camada. Eles fizeram várias exigências e nós estamos realizando os procedimentos”, frisa.
Ainda que a Emdurb consiga obter a quarta e, posteriormente, a quinta camada para o aterro sanitário, se a postura da população e do Poder Público não mudarem com relação à coleta seletiva e à do lixo, em breve a empresa estará brigando para construir um novo aterro. Neste caso, o problema será financeiro, já que a construção de um novo aterro, ainda que anexo ao atual, custaria perto de R$ 5 milhões.
Lagoas de chorume
Uma das exigências do Daia para liberar a quarta camada do aterro é a construção de novas lagoas de chorume, líquido resultante da decomposição do lixo orgânico. A Emdurb está providenciando duas novas lagoas, no intuito de se adequar às exigências da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e também para desativar as lagoas antigas.
Segundo Rubens Trentini Duque, as lagoas serão impermeabilizadas e monitoradas para evitar que o chorume vaze e contamine os lençóis freáticos. O investimento, só com a impermeabilização, é de R$ 35 mil. A lagoa tem capacidade para seis meses de operação. Depois de cheia, a Emdurb vai precisar contratar uma empresa para retirar o chorume do local.