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Estudos indicam que crença em algo superior pode melhorar condições físicas

Folhapress
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São Paulo - Ao contrário do que muita gente pode pensar, religião e medicina não são duas coisas opostas e completamente separadas. Estudos indicam que pessoas que crêem em algo superior têm uma saúde melhor e que até têm menos problemas cardíacos e psicológicos, como a depressão.

De acordo com Edmar Santos, cardiologista da Sociedade Brasileira de Cardiologia e mestre em Medicina Interna e Terapêutica da Unifesp, a religião é uma “fonte de esperança” e contribui para a diminuição de depressão em pacientes hospitalizados.

Estudos americanos são utilizados para corroborar essa tese. Segundo pesquisas da escola de medicina de Virgínia, nos EUA, fatores psicossociais como a religiosidade podem contribuir na queda da pressão arterial em hipertensos. Além disso, indicam que pessoas que têm o hábito de ir a cultos religiosos têm menos doenças cardiovasculares. Contribuiriam para isso o fato de a maioria das religiões pregarem uma vida sem vícios, o que faria com que os indivíduos levassem uma vida mais saudável.

Alexandre Santos, cardiologista do hospital Santa Paula, diz que o dado científico mais concreto é que a mente influenciaria na saúde das pessoas. “Dessa forma, pessoas descrentes acabam se entregando à doença e não se recuperam com facilidade. Elas podem entrar em depressão profunda após uma operação, ter complicações e morrer.”

Edmar Santos fala ainda que a prática religiosa é fonte de esperança e tem ligação direta com a diminuição da depressão em pacientes.

Alguns estudos americanos mostram que idosos não-religiosos submetidos à cirurgia de pontes de safena tiveram três vezes mais chance de morrer no procedimento do que os que crêem em algo. Com isso, Edmar Santos afirma que há uma ligação direta entre religião e a saúde, principalmente a do coração.

Menos cigarros

Com a religião, a faxineira Eduarda Santos, 56 anos, mudou seus hábitos reduzindo o número de cigarros consumidos diariamente. “As pessoas se controlam, por conta dos mandamentos. Bebem e fumam menos do que se não acreditassem em Deus e o temessem”, avalia.

Alexandre Santos, mais cético, não atribui isso somente à religião, mas à forma de a pessoa enxergar e levar a vida. “Quem é religioso acredita em algo que lhe dá força. Isso está na mente, que é o que contribui para a melhora. E isso acontece mesmo.’’ Mas ele faz uma ressalva: “A religião, a fé, não curam.”

Apesar disso, a copeira Jovelina da Silva, 48 anos, diz que sempre vai à igreja rezar por familiares doentes. “Na semana passada, meu irmão teve um infarto e foi internado. Fui à igreja, rezei e, dias depois, ele já estava em casa.”

Homens entre 40 e 60 anos são os que têm mais riscos de terem problemas cardíacos. Segundo o médico do hospital Santa Paula, porém, a mulher evolui pior quando têm doenças do coração. “Isso acontece por causa da anatomia e da parte hormonal, que está envolvida.” Ele diz ainda que, apesar dos indícios de que a religiosidade pode ajudar, prevenir ainda é o melhor. “Praticar atividades físicas, fazer check-up, não fumar, controlar o colesterol são formas de evitar doenças.”

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