A menos de dois meses do início do maior vestibular do país, a Universidade de São Paulo (USP) definiu que a prova da primeira fase não terá a divisão por disciplinas. “A opção conjunta da USP e da Fuvest foi a de apresentar as 90 questões da primeira fase em conjunto, sem a divisão por disciplinas’’, informou a pró-reitora de graduação, Selma Garrido Pimenta.
Mas a universidade não divulgou o número de questões de cada matéria. A única informação dada é que serão mantidos “o equilíbrio e a importância relativa das disciplinas’’ do ensino médio. A reportagem procurou a pró-reitora de graduação e a questionou objetivamente sobre o número de perguntas de cada disciplina e sobre a quantidade de perguntas interdisciplinares, grandes dúvidas do exame.
A professora Selma disse apenas, por meio de uma nota, que a prova será organizada com a “competência e lisura’’ que caracterizam a Fuvest. E completou: “A recomendação aos candidatos para que sejam bem sucedidos é a de que estudem, estudem, estudem... todas as disciplinas’’.
O problema para os vestibulandos é que, sem saber o total de questões de cada matéria, eles não têm como se organizar para responder a prova.
Andréa Angélica Jordan Espinoza, 19 anos, é uma das candidatas que vêem na falta de informação um empecilho. “É preciso saber como vai ser a primeira fase, porque o aluno se sente mais seguro e resolve com mais firmeza’’, opina. “O tempo que se gasta para questões de humanas é diferente do tempo para perguntas de exatas. E quem é melhor em humanas começa a resolver por aí’’, justifica a jovem.
Para Luiz Ricardo Arruda, coordenador do Anglo, há um “lado negativo grave’’ na não-divulgação das características da prova. “Isso cria uma insegurança para os alunos. Precisamos de transparência. Quanto mais informação o candidato tiver, melhor para ele vencer esse obstáculo que é o vestibular’’, aponta.
Vera Lúcia da Costa Antunes, coordenadora do Objetivo, pondera: “O estudante tem de ter confiança no aprendizado dele. Precisa ter calma. A divisão por disciplinas muitas vezes só gera ansiedade. É preciso reconhecer que o conhecimento não é compartimentado’’.