Jaú - A morte do casal Antônio Curvelo da Silva, 55 anos, e Cleuza Baister do Nascimento, 56 anos, há pouco mais de um mês, está esclarecida com a confissão de dois dos três acusados pelo duplo latrocínio que chocou os moradores do Distrito de Potunduva (47 quilômetros de Bauru). O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú, Edmilson Marcos Bataier, apresentou ontem como acusados pela morte Márcio Roberto Sanches de Oliveira, 27 anos, Gilson Leandro Moreira, 25 anos, e Alex Santana Nogueira, 25 anos. O delegado explicou que todos tiveram participação no crime, ocorrido no dia 6 de setembro, com a motivação de roubar R$ 1.500,00 do casal.
Antônio e Cleuza foram mortos na casa de um sítio em que residiam nas proximidades do núcleo urbano de Potunduva, que fica a oito quilômetros do Centro de Jaú. O crime provocou revolta também porque o casal de lavradores foi morto na frente de um neto, de 8 anos. Bataier explica que uma das linhas da investigação levou a uma sobrinha das vítimas, uma adolescente que havia namorado Oliveira. O delegado da DIG conta que a hipótese mais forte era de que o autor ou autores tinha (m) relação ou, no mínimo, informações que vinham da família. “Ele (Oliveria) caiu em diversas contradições. Descobrimos que ele pediu para que a própria namorada mentisse para que ele tivesse um álibi”, ressalta Bataier. O delegado acrescenta que a atual namorada de Oliveira é outra sobrinha das vítimas. No último dia 13, a Justiça, por solicitação da DIG de Jaú, decretou a prisão temporária de Oliveira. Logo em seguida, Moreira, conhecido como Gelo, que é sobrinho de Oliveira, foi reconhecido por uma testemunha que o viu fugindo do sítio na noite do crime e também teve sua prisão decreta, segundo o delegado.
Bataier ressalta que, diante das evidências, Oliveira e Moreira teriam indicado Nogueira como sendo o terceiro participante na ação criminosa. “Alex nega o envolvimento, mas também tem passagem (antecedentes criminais) por assalto”, salienta o delegado. Agora, a equipe da DIG trabalha para localizar o revólver calibre 38 que teria sido utilizado por Nogueira.
Bataier explica que os três estão presos sob a acusação de duplo latrocínio (artigo 157, parágrafo terceiro do Código Penal). De acordo com o delegado da DIG, se condenados os acusados podem ser submetidos a pena de 20 a 30 anos de reclusão. O delegado explica que os três suspeitos têm passagem pela polícia. “Inclusive o Márcio cumpriu pena por homicídio na mesma cadeia com Alex, sendo que o Alex possui assalto a mão armada. E na oportunidade fomos nós também da DIG que o prendemos. E o Gilson já possui passagens por lesões corporais e furto”, esclarece.
Nogueira está preso na Cadeia Pública de Barra Bonita. Oliveira e Moreira estão presos na Cadeia Pública de Bariri.
Os proprietários do sítio, Lauro Penteado da Silva, 75 anos, e Nilcéia de Camargo Penteado, 61 anos, estavam viajando no dia do crime. Eles foram criados na propriedade que vem passando de geração em geração da família. Os dois são primos e pretendem demolir a casa em que os caseiros foram mortos e construir uma nova moradia. Nilcéia diz que está muito assustada com o crime e Lauro ressalta que residiu em Campinas e nunca tinha visto tamanha violência como a que foi cometida contra o casal Antônio e Cleuza.
Reconstituição
Passados mais de um mês, ontem foi o momento de reprisar passo a passo o crime cometido no dia 6 de setembro. Como Alex Santana Nogueira nega o envolvimento na morte do casal de trabalhadores rurais, Márcio Roberto Sanches de Oliveira e seu sobrinho Gilson Leandro Moreira, conhecido como Gelo, participaram da reconstituição da morte de Antônio Curvelo da Silva e Cleuza Baister do Nascimento. A recriação dos fatos foi coordenada pela Polícia Técnica e por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jaú.
Na encenação do crime, o trio chegou por volta das 19h no sítio, que é cercado por um canavial. São duas casas, uma de alvenaria e outra de madeira, onde residiam as vítimas. Todos estavam encapuzados no momento do roubo. Na reconstituição, eles fizeram a aproximação pela parte mais baixa da casa. Segundo explicou Oliveira aos policiais, Nogueira, armado de um revólver calibre 38, ainda não localizado, chegou próximo da entrada da casa e efetuou um disparo para o alto para chamar a atenção dos moradores. Antônio abriu a porta, foi abordado e teria esboçado reação, conforme a versão dada pelos dois acusados. Neste momento, Nogueira teria atirado quatro vezes contra o lavrador. Na seqüência, o trio já adentrou ao imóvel de dois cômodos apenas, separados por uma parede divisória de madeira. Na cozinha ficou o corpo de Antônio e no quarto estava Cleuza, sentada em um sofá. O neto do casal estaria em um beliche. O garoto saltou da parte alta da cama e se escondeu. Segundo o delegado Edmilson Marcos Bataier, a versão apresentada por Oliveira, é que após a mulher lhe entregar os R$ 1.500,00, ela teria feito uma observação no sentido de que não haveria a necessidade de ter matado seu companheiro. “Ele interpretou isso como sendo um reconhecimento por parte dela, porque ele é muito conhecido em Potunduva”, ressalto o delegado. Bataier acrescenta que, mesmo estando de luvas, para esconder tatuagens, e de capuz, Oliveira teria entendido que a vítima o teria reconhecido. Por isso, no entendimento do delegado, ele resolveu executá-la também. Com um revólver calibre 32, Oliveira teria feito três disparos contra a mulher. Esta arma foi apreendida com o acusado. A reconstituição do crime deixou uma dúvida em relação à posição em que a mulher teria recebido o primeiro tiro. “Eu entendo que a mulher foi alvejada ainda sentada quando estava jantando. Ele (Oliveira) afirma que ela estava em pé, mas eu discordo. Pelos laudos, ele atirou nela sentada”, avalia.
O neto foi localizado por Moreira e trancado no banheiro. Uma pessoa chegou de carro ao imóvel praticamente no momento da saída dos bandidos. O reconhecimeto de um dos envolvidos ocorreu porque na fuga pelo canavial eles teriam tirado os capuzes.
Dias após o crime, Nogueira mudou de Potunduva, indo morar em um imóvel alugado no município de Itapuí. Os outros dois residiam em Potunduva.