Internacional

Bush ameaça Pyongyang com sanções

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Washington - A comunidade internacional condenou firmemente o anúncio do suposto teste nuclear pela Coréia do Norte na noite de anteontem, que faria daquele país o nono Estado a possuir armas dessa natureza no mundo. A reação foi liderada pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), no primeiro teste do novo secretário-geral da entidade, o sul-coreano Ban Ki-Moon, virtualmente eleito ontem.

“Os EUA condenam este ato de provocação”, disse Bush. “Mais uma vez, a Coréia do Norte desafiou a comunidade internacional, e a comunidade internacional vai responder”, afirmou o presidente logo pela manhã, para depois dizer que seu país “continua comprometido com a diplomacia” e “continuará a proteger” seus interesses.

Alguns analistas consideraram a reação da Casa Branca branda ao reforçar a via diplomática e insistir na pressão multilateral, principalmente via Conselho de Segurança da ONU. O motivo seria a falta de opções de Bush, já envolvido em duas frentes, o Iraque e o Afeganistão, que ameaçam sair do seu controle.

“A administração de Bush merece uma reprimenda particular” pelo teste, disse o presidente do Conselho de Relações Exteriores, Gary Samore. “Eles tinham expectativas não-realistas sobre o que poderia ser alcançado via pressão. A habilidade dos EUA de constranger a Coréia do Norte é limitada, especialmente no meio de uma guerra com o Iraque.”

Já o Conselho de Segurança da ONU repudiou o anúncio do teste, mas analisava até as 21h de ontem, a proposta levada pelo embaixador dos EUA, John Bolton, de embargo militar e sanções financeiras e econômicas ao país. Reino Unido e França se mostraram favoráveis com algumas restrições ao pacote, que encontrou resistência da China, principal aliado da Coréia do Norte, e indiferença da Rússia.

O principal ponto da proposta é a inspeção internacional de toda mercadoria que entrar e sair do país. O temor norte-americano é que a Coréia do Norte exporte armas e tecnologia nuclear para grupos terroristas. Outros itens defendidos por Bolton numa reunião de emergência a portas fechadas incluem um bloqueio do país ao sistema financeiro internacional e a proibição de exportação de itens de luxo.

“Eu não vi nenhum defensor da Coréia do Norte naquela sala”, disse Bolton num dos intervalos da reunião. “Ninguém defendeu o teste. Ninguém chegou nem perto disso.” O Conselho de Segurança é formado por 15 países, mas apenas EUA, França, Rússia, Reino Unido e China têm poder de decisão.

O anúncio chega dois dias depois de o CS ter avisado que a Coréia do Norte sofreria “conseqüências severas” se seguisse em frente com seus planos e três meses após uma resolução que exortava o país comandado com mão-de-ferro pelo exótico e imprevisível ditador Kim Jong-il a voltar à mesa de negociações, o que nunca aconteceu.

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Capacidades das potências nucleares mundiais

Potências nucleares declaradas:

EUA: Os EUA mantêm um grande arsenal atômico, com cerca de 10 mil ogivas intactas, das quais cerca de 6 mil estariam ativas ou operacionais.

• Por volta de 1.700 delas estão colocadas em sistemas de mísseis terrestres (ICBMs Minuteman e Peacekeeper)

• 1.098 em aviões bombardeios (B-52 e B-2) e 3.168 em submarinos.

• 800 são armas nucleares táticas (TNWs) e consistem em mísseis de cruzeiro Tomahawk e bombas B61.

• Segundo o Tratado de Moscou, de maio de 2002 (o Tratado de Reduções Ofensivas, ou Sort), assinado pelos EUA e pela Federação Russa, os dois países comprometeram-se a, até 2012, reduzir seu arsenal operacional para algo entre 1.700 e 2.200 ogivas nucleares.

RÚSSIA: A Rússia teria cerca de 20 mil armas nucleares. Segundo o Tratado Start I, o arsenal atômico do país foi reduzido para aproximadamente 7 mil ogivas nucleares.

FRANÇA: A França possui cerca de 350 ogivas nucleares.

GRÃ-BRETANHA: O arsenal britânico seria formado por menos de 200 ogivas estratégicas ou “subestratégicas” colocadas em submarinos nucleares equipados com mísseis balísticos (SSBN).

CHINA: A China tem um arsenal de cerca de 400 ogivas, cerca de 250 armas “estratégicas” e 150 armas “táticas”. O país assinou, em 1992, o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NPT) na qualidade de potência nuclear.

Outras potências atômicas “declaradas”:

CORÉIA DO NORTE: Ontem, o país realizou seu primeiro teste nuclear. O governo norte-coreano declarou, em 2005, pela primeira vez, que possuía armas atômicas. A Coréia do Norte pode ter material físsil suficiente para fabricar ao menos oito armas nucleares, dizem especialistas no assunto.

ÍNDIA: A Índia declarou formalmente possuir armas nucleares. O governo indiano possuiria entre 240 e 395 quilos de plutônio apto a equipar armas atômicas. Dependendo da sofisticação do projeto da ogiva, esse material seria suficiente para fabricar entre 40 e 90 armas de fissão nuclear.

PAQUISTÃO: Em julho passado, circularam informações de que o Paquistão construía um novo reator nuclear capaz de produzir plutônio suficiente para fabricar de 40 a 50 armas nucleares por ano, ampliando seu programa atômico. O Paquistão não assinou o NPT.

Potências nucleares “não-declaradas”:

ISRAEL: Segundo estimativas baseadas na capacidade de produção de plutônio do reator de Dimona, onde o programa nuclear do país está sediado, Israel teria entre 100 e 200 artefatos atômicos. O governo israelense não assinou o NPT.

IRÃ: Apesar dos meses de negociação, o governo iraniano não se comprometeu em suspender seu processo de enriquecimento de urânio que, segundo algumas potências ocidentais, seria usado para a obtenção de armas.

Fontes: Reuters/www.nti.org (Nuclear Threat Initiative)

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