Preocupados com os barrancos que existem no fundo das residências do Núcleo Habitacional Quinta da Bela Olinda, moradores fizeram um protesto na manhã de ontem. Eles queimaram madeira e pneus em duas quadras da rua Riowa Hokama para pedir a construção de muros de arrimo nas casas, pois a maioria teme desmoronamentos.
Os moradores estão indignados porque oito residências conseguiram na Justiça a construção de muros de arrimo. “Por que as outras casas não terão muros de arrimo? Todas são iguais e têm desnível de solo”, argumenta Beatriz Lopes da Silva.
Além disso, eles não querem que a Companhia de Habitação Popular (Cohab) de Bauru construa taludes (espécie de corte transversal no solo que impede que a terra desmorone) em 15 casas, como foi determinado pela Justiça na semana passada. “O talude não vai resolver nada porque não vai segurar a água da chuva. Além disso, bovinos que estão soltos no bairro passam pelos quintais das casas, não temos privacidade”, reclama o morador Célio Almeida.
A aposentada Hélia de Jesus Alcântara tem medo das chuvas fortes. “O barranco que tem atrás da minha casa está cada vez maior”, preocupa-se. Ela não entende porquê na casa da filha foi construído o muro de arrimo e na dela não. “A minha casa fica em uma esquina e bastante exposta à água da chuva. A cada dia o barranco de terra desliza mais”, conta.
Apesar do descontentamento, os moradores não impediram que funcionários de uma empresa contratada pela Cohab começasse a recompor os taludes, ontem de manhã. “Sabemos que a obra não pode parar porque foi o juiz que determinou”, diz Beatriz.
Durante o protesto, os moradores tinham em mãos o documento expedido pela 3.ª Vara Federal de Bauru. O mandado de intimação do juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho impede que os moradores se oponham às obras de recomposição dos taludes. O documento relata o acordo entre a Cohab e o Ministério Público. “Estamos recuperando os taludes que foram construídos antes das casas serem entregues aos moradores. Muitos fizeram reformas e os taludes foram destruídos”, diz o presidente da companhia, Edison Gasparini Jr.
Gasparini, que não estava em Bauru ontem, disse por telefone que assim que retornar à cidade vai buscar soluções para o caso. A princípio, as obras de construção dos taludes continuarão. “Não podemos parar as obras porque foi uma determinação judicial”, explica. Mas ele garantiu que vai reunir-se mais uma vez com o Ministério Público. “Vamos fazer um estudo de quanto custaria a construção dos muros de arrimo. A resposta se a obra será possível ou não só sairá após esses estudos”, diz.
As 189 casas do núcleo foram entregues em 1999 pela Cohab aos moradores. A cobrança das prestações dos imóveis pela companhia foi suspensa em setembro do ano passado por força de liminar (decisão provisória) concedida pela Justiça Federal em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), que atendeu a reivindicação dos moradores de que as casas apresentavam problemas.