Agudos - Os policiais do Grupo Anti-seqüestro (GAS), de Sorocaba, tentam prender um casal que integra a quadrilha de estelionatários de Agudos que aplicou golpes em várias cidades de São Paulo e em outros Estados.
O delegado do GAS, José Humberto Urban Filho, disse ontem que policiais estavam tentando prender um homem e uma mulher da cidade (18 quilômetros de Bauru) e que seriam os dois últimos integrantes de uma quadrilha de 8 estelionatários. Urban preferiu não revelar o nome das duas pessoas, mas adiantou que pelo menos um dos envolvidos poderia ser preso ontem.
Os policiais civis dos GAS estavam cumprindo mandado de prisão expedido pela Justiça. Anteontem, Silvio Luiz Agostinho, 42 anos, se apresentou à polícia e o mecânico Luiz Carlos de Souza, 32 anos, foi localizado.
Ambos também são de Agudos e Agostinho é um dos líderes da quadrilha. Souza é acusado pela polícia de gerenciar uma a conta de uma mulher, usada pela quadrilha para os depósitos de empresários. Na última quarta, foi detido o principal integrante da quadrilha, José Arnaldo Pascoal de Abreu, 55 anos, conhecido como Zezo.
No mesmo dia, os policiais do GAS prenderam Cléber Nunes de Oliveira, 20 anos, Juliano Mesa Morales, 24 anos, e Everton dos Santos Cavalcanti, 20 anos. “Zezo e Silvio já tinham sido presos em 2001 pedindo dinheiro em nome de Mários Covas (ex-governador do Estado)”, revela o delegado, ao afirmar que ainda não está esclarecido desde quando o grupo agia.
Abreu e Agostinho, segundo o delegado, seriam os articuladores do golpe contra empresários. Eles faziam contatos telefônicos com empresários, se fazendo passar por prefeitos de cidades e solicitando contribuições para obras, como construção de creches e fundos de solidariedade.
Urban explica que o GAS passou a investigar a quadrilha em maio deste ano, quando receberam informações de que o golpe estaria sendo aplicado em Sorocaba, quando um empresário desconfiou e tentou confirmar o pedido de recursos junto ao prefeito da cidade.
O delegado do grupo especializado acrescenta que, até o momento, se calcula que pelo mais de R$ 200 mil foram conseguidos com o golpe. No entanto, Urban avalia que o volume pode ser muito maior. “Os tentáculos da quadrilha ultrapassavam o Estado”, lembra o policial.
Após o golpe ser noticiado, Urban ressalta que representantes das prefeituras de Maringá (PR) e Uberlândia e Uberaba (MG) já fizeram contato com o GAS. Até o momento, se sabe que a quadrilha agiu em Jacareí, Osasco, Tupã, Itapetininga e Itu.
O grupo está sendo acusado pelos crimes de estelionato (artigo 171) e formação de quadrilha ou bando (artigo 288) previstos no Código Penal brasileiro. Urban acrescenta que o inquérito foi remetido ontem à Justiça. O prefeito de Agudos José Carlos Octaviani (PMDB) fez contato ontem com o JC para esclarecer que José Arnaldo Paschoal de Abreu, o Zezo, nunca teria trabalhado na prefeitura.