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Estiagem afeta pesca nos rios Grande e Pardo

Por Juliana Coissi | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

No meio do leito daquele que leva o nome de Grande, a água chega, no máximo, aos joelhos. A estiagem reduziu o nível dos rios Grande e Pardo, os maiores da região, afetando a sobrevivência dos pescadores de Colômbia e outras cidades que dependem da atividade e levando a uma migração pelo Estado de São Paulo.

Em muitos pontos, os rios estão com um ou dois metros de profundidade, o que impede os pescadores de armarem redes e passarem com os barcos. Como alternativa, eles têm se juntado em grupos e fretado caminhões para pescar em outros rios do Estado, como o Tietê e o Paraná.

Por vezes, fecham suas casas e levam toda a família, deixando a colônia de pescadores praticamente deserta. Sem recursos para ir mais longe, outros homens abandonam a pesca, uma cultura de gerações, para dedicar-se à cana-de-açúcar e à laranja, que já dominam o centro e nordeste do Estado.

Todos os anos, por volta de agosto, os pescadores já se preparam para a baixa do rio. Em novembro, quando começa a piracema (desova dos peixes) e a pesca é proibida, eles recebem seguro-desemprego, de um salário mínimo por mês, concedida ao pescador e à mulher. O benefício dura até março, quando acaba a piracema.

Neste ano, porém, o rio reduziu seu nível a partir de junho. A média de pesca, de 25 quilos por dia, caiu para menos de 10 quilos. “Hoje está custando pagar o mercado, colocar comida em casa’’, conta o pescador João Rodrigues de Matos, 50.

“João Laranja’’, como é conhecido, lembra da época em que o rio Grande rendia pescas de, em média, 60 quilos de peixe por dia - até 2003, quando acidente na Usina da Pedra, em Serrana, fez com que o Pardo sofresse o maior desastre ambiental de rios nos últimos 30 anos em SP.

Para driblar a seca, pescadores juntam-se em grupos de seis a oito homens e acampam à beira de rios em cidades como Ibitinga e Santa Maria da Serra (Tietê) e Ilha Solteira (Paraná). Permanecem até três meses acampados. Voltam à cidade e ficam com a família por uma semana e logo retornam.

Outros viajam de carro até Guaraci e outras cidades em que o nível do rio Grande não está crítico. O pescador Paulo Hélio Rodrigues, 28 anos, conseguia retirar 50 quilos de peixe por dia, com o rio cheio.

Em Guaraci, para compensar o gasto de R$ 20,00 com gasolina, esforça-se mais e retira 70 quilos do rio. Porto Bambu, um agrupamento com 28 casas de pescadores, é hoje praticamente uma vila fantasma em Colômbia. A maior parte das famílias foi embora atrás de melhor pescaria.

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