Tribuna do Leitor

Fejasa


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Queremos agradecer nossa platéia, pela noite emocionante que passamos junto neste Festival Amador de Teatro. Nosso espetáculo emocionou uma platéia sensível que conseguiu “alcançar” a história de Romeu e Julieta de Shakespeare.

Também quero fazer uso desta tribuna para parabenizar todos os grupos que estiveram abrilhantando as noites de Botucatu, agradeço também ao Zé do Sanduíche, que conhecemos em frente ao teatro e nos orientou sobre o recheio do lanche e sobre o festival.

Ficamos emocionados com aquela noite mágica e conseguimos entender perfeitamente que nosso maior prêmio é ter o respaldo do nosso público. Ninguém imagina a força que isso provoca em um ator de verdade, ninguém consegue tirar isso de nós, a resposta da platéia, fantástico!

Agradeço ao Marco Pinheiro por nos receber com muita educação e respeito, agradeço a Matilde pelas suas belas palavras, também não poderia deixar de agradecer ao John Lenon por ter nos presenteado com os seus comentários “image”, percebe?

Não posso deixar de agradecer às duas pessoas que no primeiro momento nos assustaram mas, logo em seguida nos fizeram refletir muito, agradeço ao dono do Restaurante Tempero Maneiro, que nos assustaram com tamanho carinho em seu atendimento. E, é claro, que deixaria você por último por entender que este “suspense”, faz parte de um “arranjo clássico” dos grandes festivais amadores, muito obrigado Shakespeare por nos honrar com sua presença naquele teatro, e também por nos orientar sempre, ensinando-nos os verdadeiros caminhos da arte.

Em nossos laboratórios e ensaios, pulamos corda para aquecer, em seguida subimos e descemos escadas para ajustar nossa luz, trabalharmos os mecanismos que se fecham, depois, trabalhamos o conceito do “óbvio” em cena, pois clássico é clássico e fim de papo.

Nossa luz marcou muita presença, pois nosso iluminador já ganhou prêmios em outros grandes festivais de teatro o que ajudou muito no brilho de nossos atores. Nosso sonoplasta atendeu muito bem as nossas expectativas, nossos figurinos foram um charme, qualquer pessoa até mesmo com “catarata” nos olhos, conseguiria enxergar a diferença entre “algodão cru” e tecidos finos usados pelo nosso elenco.Nossa platéia ficou satisfeita com o que viu e sentiu.

Enfim, obrigado Jaime Sanches por toda nossa alegria, e sabemos que do céu você presenciou cenas inesquecíveis dentro daquela noite cênica. Agradeço também à Gê, funcionária do teatro na qual fizemos uma grande amizade, pois se não fosse seu sorriso não teríamos força para conseguir.

Não foi nada difícil para nós fazermos aquilo que amamos fazer, difícil é para algumas pessoas entenderem nossa proposta devido ao português clássico. Também gostaria de dizer a Matilde nossa falante e querida amiga que a história de Romeu e Julieta se passa em Verona não em Veneza percebe?

Para John Lennon, quero dizer que existem dois tipos de teatro o inventado por você e o criado pelos gênios, ficamos com a segunda proposta por entender que o seu teatro é muito mas, muito perfeccionista e minucioso achamos a proposta dos gênios do teatro mais acessível à nossa linha de trabalho.

Enfim, quero parabenizar a todos os envolvidos neste grande momento inesquecível, intransferível, indescritível e com toda a minha humildade quero dizer à platéia, funcionários “revolucionários e imparciais”, sem manifestação de aplausos fora de hora, aos atores da Cia Mandrágora, que “A vida é uma sombra que passa, é uma história contada por um ou mais idiotas cheio de raiva e de fúria significando nada”.(Shakespeare).

Basta olharmos fixamente aos olhos e quando neles encontramos os segredos mais impuros sabemos que o puro é meramente camuflado pelo mal uso das palavras.

Responsabilidade e compromisso com a condução das críticas em relação aos atores é uma responsabilidade cultural para a valorização da arte, o direito de resposta é uma garantia da lei o poder do contraditório é a viabilização do preenchimento e entendimento do nosso trabalho de tudo que se fala, enxerga e tudo o que se ouve. As críticas podem ser Construtivas, Destrutivas, Fundadas e Infundadas, qualquer uma delas deve-se fazer com propriedade e discernimento, e muita responsabilidade mantendo-se imparcial a conduta dos atores durante o debate e principalmente julgando o trabalho do grupo e não a frustração do júri em relação a linha que o grupo escolheu para realizar o seu trabalho. Os Grupos de teatro, as Cia. de teatro e principalmente os artistas (atores, atrizes, diretores) não devem calar-se àquilo que não corresponde a que vieram. Os ataques pessoais, as palavras rancorosas, e muitas vezes a humilhação provocada pelo mau uso das palavras desvalorizam a classe artística que buscam encontrar jurados sérios, para aprimorarem seus conhecimentos e melhorarem seus trabalhos cênicos.

É importante frisar que no palco somos artistas no desenvolvimento de nossas potencialidades e competências cognitivas e artísticas ainda dentro do processo amador, buscando a esfera profissional. Fora do palco deixamos nossas personagens e voltamos a ser os profissionais que ali apresentaram com a arte da interpretação nossos trabalhos. Também somos seres humanos passivos de erros e em nenhum momento tivemos qualquer dúvida sobre essa possibilidade, de nos acometermos em algum erro ou deslize. Por essas e outras que faço o uso desta tribuna exigindo e explicando o direito de que todos artistas que participem de qualquer festival sejam corrigidos como ponto de evolução e valorização do trabalho do grupo e não desvalorização e perda do respeito humano.

Quanto à premiação do Fejasa, ficamos completamente satisfeitos pelos nossos colegas que fizeram belíssimos trabalhos e sem dúvida nenhuma questionamos os premiados. Nossa função aqui é meramente colocar nossas idéias e fazer com que todos os leitores reflitam sobre cada ponto de vista colocado, sou profissional formado na área de Artes Cênicas, e estou apenas exercendo um dos direitos de um cidadão, o de expressar-me.

Sou diretor da Cia Mandrágora, arte educador, e educador da Unesco. Apesar de aparentar-me jovem nos meus 28 anos de idade e 15 de labuta pela arte, já participei de vários festivais de teatro como ator e também como platéia, e com toda certeza e convicção em relação ao juramento que fiz a minha profissão nunca passei por nada igual. Saudações aos Duendes Imaginários!

Huxley Ivens - diretor da Cia Mandrágora - RG 28.739.204-1

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