Al Gore, vice presidente de Bill Clinton, e derrotado nas disputas eleitorais de 2000 pelo atual presidente George W. Bush concedeu uma importante entrevista para a revista de variedades VEJA desta semana (ano 39, nº 40, edição 1.977) afirmando que investir em ecologia é um bom negócio.
Disso ninguém duvida, pois investir no verde, na preservação, é investir na própria preservação da nossa espécie.
Quando estava em campanha presidencial junto com o candidato Clinton, Al Gore veio visitar a floresta tropical e ficou impressionado com a visão, quase revelação religiosa, da troca de umidade e calor entre as massas de ar oceânicas e a floresta que seguem esse padrão de troca até a cordilheira dos Andes onde essa umidade se divide e segue metade para o hemisfério norte e metade para o hemisfério sul influenciando os regimes de chuva de vários países, a agricultura, sua produtividade etc.
Essa visão com certeza calou fundo no coração desse político, pois em plena época de guerra contra o terror ele ousa criticar as políticas adotadas pelo presidente Bush e em especial as políticas voltadas para o meio ambiente que visam proteger a produção industrial dos EUA e não a vida no planeta Terra, como por exemplo não ter aderido ao Protocolo de Kioto, para o controle da poluição atmosférica.
Segundo ele estamos em uma encruzilhada em que se não adotarmos nos próximos dez anos algumas medidas drásticas em relação a produção, consumo, preservação não poderemos mais existir como espécie.
Ele mesmo admite levar uma vida regrada voltada para o menor consumo possível de carbono. Trocado em miúdos, não consome o que a sua fortuna pessoal permitiria; poupa os aparelhos domésticos elétricos; não usa a energia elétrica de forma desequilibrada; anda pouco de carro, e quando o faz adota carros com motores mistos explosão/elétricos para não agredir o eco sistema.
Elogia sempre que pode o modelo energético brasileiro que deu prioridade a bio-massa, apesar de ter grandes reservas de petróleo. Aliás, esse é um tema que deveria ser mais explorado, pois até o presidente Bush em seu pronunciamento a nação, que faz todos os anos em fevereiro, elogiou a matriz energética brasileira e a nossa opção pelo combustível limpo, mas não foi sempre assim, pois os EUA, na década de 70 foram contra o pró-álcool por considerar que dava muita autonomia energética ao nosso país.
Al Gore está lucrando com o meio ambiente tendo um canal de televisão com programas ambientais e um fundo de investimentos para o desenvolvimento de novas tecnologias não agressivas ao eco-sistema. Seu exemplo de pessoa interessada com a preservação e com as atividades econômicas deve servir de norte para todos. As mudanças necessárias para a nossa sobrevivência já estão sendo percebidas pelos grandes políticos e empresários, mas, devem fazer parte também do nosso dia a dia. Pela sua lucidez e coragem em apontar esses novos caminhos, Al Gore para presidente, deles é claro!
O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de História do Colégio Fênix