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Curso ensina uso de armas pesadas a policiais

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Policiais civis de Marília, Assis e Tupã concluíram ontem, no quartel do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4) de Bauru, um curso de manuseio de armas pesadas - carabina ponto 40 e submetralhadora - promovido pelo Núcleo de Ensino Policial Civil do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-4 (Deinter-4).

No curso, os policiais aprendem técnicas de utilização dos armamentos e, somente após passarem por uma rigorosa avaliação, podem passar a portá-los e manuseá-los.

“São armamentos pesados para enfrentamento da criminalidade. Só que o policial civil, para usá-los, tem de ter uma habilitação técnica para isso, o que só é possível obter fazendo esse curso e sendo aprovado”, explica o delegado Antônio de Pádua Pimenta Júnior, coordenador do núcleo. Ao final desse curso, os participantes - 20 policiais - totalizam a realização de 11 mil tiros. “Cada um dá 550 tiros, 500 no treinamento e mais 50 na avaliação”, detalha.

Pimenta esclarece que diversos cursos de aperfeiçoamento profissional vêm sendo desenvolvidos em toda área de abrangência do Deinter-4, que envolvem sete seccionais - Bauru, Jaú, Lins, Marília, Tupã, Assis e Ourinhos -, e que muitos outros do gênero continuarão ocorrendo. “Esse não é o primeiro e nem será o último. A realização dos cursos é uma demonstração à sociedade de que a Polícia Civil está se preparando e modernizando para que possa trabalhar e prestar serviços com eficiência e 100% de resultados positivos”, enfatizou. E complementou:

“Quando o doutor Annibal (Roberto de Mello Annibal, diretor do Deinter-4) me convidou para assumir a coordenadoria, ele disse que implantaríamos uma filosofia de que o policial civil viria regularmente ao núcleo para participar de cursos. E hoje a Polícia Civil tem propiciado que o policial faça inúmeros desses cursos complementares, como uso de DNA na investigação criminal, registro digital de ocorrências, pistola semi-automática, carabina, submetralhadora e identificação veicular para combate a furtos, roubos, receptação e desmanches de veículos. Só neste ano, na área de abrangência do Deinter-4, 655 policiais participaram desses cursos.”

Outros cursos

Pimenta informa, ainda, que outros dois cursos também estão em andamento pelo núcleo: o de armas não-letais e agentes químicos, que no jargão policial são chamados de “bombas”, e o de sobrevivência policial. O primeiro será concluído na próxima terça-feira, em Marília, e normalmente é voltado para os chamados policiais operacionais. “São aquelas equipes que participam e desenvolvem operações táticas, como as do Garra e do Anti-Seqüestro, e efetivamente estão na linha de combate”, ressalta o coordenador.

Ele destaca que este curso tem o objetivo de orientar o policial para a adoção do uso progressivo da força física moderada. “Em vez de tirar o revólver e dar tiro, o policial joga uma bomba ou qualquer outro artefato químico, como o gás pimenta ou granadas de efeito moral. Esse é o espírito”, salienta Pimenta.

O terceiro curso comentado pelo coordenador do Núcleo de Ensino Policial Civil do Deinter-4 está sendo aplicado, no 37º Batalhão de Infantaria Leve do Exército sediado em Lins, aos policiais do grupo Anti-Seqüestro do Deinter-4 e das seccionais de Bauru, Marília e Lins. Trata-se do curso de sobrevivência policial, que ensina técnicas novas para serem utilizadas no dia-a-dia do trabalho policial. “O enfoque do curso é de fazer com que o policial fique dotado de técnicas novas e avançadas para que possa voltar vivo para casa”, resume Pimenta.

Ainda conforme o coordenador, o curso de sobrevivência policial demorou dois anos para ser montado, pois foi organizado tendo como base ocorrências do dia-a-dia policial que resultaram em mortes de policiais e marginais. “Ele foi organizado em cima desses fatos para que esses erros ou falhas não voltem a ocorrer. Por isso, os policiais recebem aulas de ética e conduta policial, além de abordagem de veículos, uso de algemas e progressivo da força, armamento e tiros, condicionamento físico, defesa pessoal e uso de agentes químicos”, salienta.

Por fim, Pimenta elogia a participação de Maurício José Lemos Freire, diretor da Academia de Polícia do Estado de São Paulo, em dois dos três cursos realizados. “Para nós, do Deinter-4, é um privilégio e uma demonstração de prestígio contarmos com a presença dele nos cursos. Isso demonstra o excelente relacionamento existente entre nós e é importante a participação dele, sendo mais um fator motivacional para o policial”, conclui o coordenador.

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