Arealva - A Polícia Civil de Arealva (41 quilômetros de Bauru) se prepara para ouvir os pais do garoto que foi ferido nas costas por uma facada anteontem.
Será instaurado um inquérito policial para apurar o crime de abandono de incapaz, já que no momento do acidente as três crianças, possivelmente, estariam sozinhas na residência, segundo as primeiras versões dos fatos.
O delegado titular de polícia de Arealva, Cledson Luís do Nascimento, prepara a portaria em que deve convocar testemunhas e os pais das duas crianças envolvidas no acidente ocorrido no último feriado.
Na ocasião, um garoto de 4 anos de idade foi ferido nas costas com uma faca. O autor da agressão, segundo informou a vítima, seria o irmão de 7 anos. Ambos estavam em casa com uma outra irmã, de 9 anos, e sem a presença dos pais ou qualquer outro responsável maior de idade.
A mãe estava trabalhando como cobradora em uma empresa de ônibus e o pai, segundo as primeiras informações, estaria em Bauru, aproveitando o feriado para pagar contas.
Por volta das 15h30, uma vizinha disse ter ouvido pedidos de socorro das crianças. Ela foi até a casa e viu que o caçula estava com ferimento.
O garoto foi levado ao hospital da cidade, onde recebeu os primeiros cuidados e de lá seguiu para o Hospital de Base de Bauru.
Segundo o delegado, um inquérito policial será instaurado para apurar o crime de abandono de incapaz. A polícia terá 30 dias para concluir as investigações.
“Posteriormente, o pai vai ter que dar explicações para nós, dizer o motivo que o levou a deixar as crianças sozinhas e se, efetivamente, não tinha um responsável no local. É um procedimento que nós temos 30 dias para concluir”, explica.
De acordo com Nascimento, o procedimento referente à agressão do garoto ao irmão é de competência do Juizado da Infância e da Juventude. “Independente da nossa parte policial, o próprio Conselho (do Menor) vai dar um encaminhamento para este caso”, explica o delegado.
O crime de abandono de incapaz na modalidade simples está previsto no artigo 133 do Código Penal. A pena, em caso de condenação, é de 6 meses a 3 anos de prisão.
“Se é resultado de lesão corporal for de natureza grave, a pena vai de um a cinco anos, aumentado em um terço pelo fato de que quem abandonou foi o pai”, ressalta o delegado Nascimento.