Bairros

Informalidade afeta 55% dos bauruenses

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Pode até parecer que não, mas pobreza e miséria estão altamente disseminadas no dia-a-dia de Bauru. Prova disso são as estatísticas da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes) referentes à questão: o órgão estima que existam aproximadamente 80 mil pessoas vivendo em condições de vulnerabilidade social na cidade.

Em meio a tantas causas, uma delas - o desemprego, que hoje em dia atinge mais de 25 mil bauruenses, segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego - já bastaria para explicar as origens do problema. A dificuldade de acesso ao trabalho com registro em carteira é tão grande que a solução encontrada pela maioria das pessoas é recorrer à informalidade como modo de sobrevivência.

Em Bauru, por exemplo, a Secretaria Estadual do Emprego e das Relações de Trabalho (Sert) estima que 55% da população economicamente ativa (PEA) esteja nessa situação. É o caso de Maria Aparecida Ângelo, que tem 58 anos e sequer sabe ler. Ela mora no Jardim Godoy e vai todos os dias ao Centro coletar material reciclável.

A “profissão” de Ângelo é uma das mais procuradas pelas camadas carentes da população da cidade. É tanta gente coletando material lixo pelas ruas que a Sebes realizou uma pesquisa, entre novembro de 2005 e agosto deste ano, para traçar o perfil dos catadores de material da cidade.

Para surpresa de muitos, foram identificados apenas 295 pessoas desenvolvendo a atividade em Bauru. Os próprios responsáveis pela pesquisa reconhecem que a quantia encontrada foi baixa.

“O número que aparece na pesquisa é apenas uma pequena amostra. Acredito que existam pelo menos 2.000 pessoas sobrevivendo da coleta de material reciclável no município”, garante Egli Muniz, secretária responsável pela Sebes.

A pesquisa mostrou que a maioria dos catadores (a exemplo de Ângelo) tem baixo nível de educação formal. Grande parte das pessoas inseridas nesse tipo de atividade também encontram-se privadas de qualquer tipo de qualificação profissional.

Antes de ser catadora, Ângelo havia sido doméstica, trabalho que muitos também costumam desenvolver na informalidade. Se todo mundo que trabalha sem carteira assinada tivesse o perfil idêntico ao dela, seria fácil explicar o fenômeno da economia informal.

Mas nada é muito simples quando a questão envolve mercado de trabalho, tanto que hoje em dia é comum que pessoas qualificadas tenham de recorrer à informalidade como forma de ganhar a vida. É o caso de Reinaldo Francelim, que trabalhou diversos anos como vendedor em papelarias da cidade.

Ele ficou desempregado em decorrência de uma doença nos olhos e atualmente tem de sobreviver às custas do comércio de caldo de cana e capas para bancos de automóveis na avenida Nações Unidas.

Algumas pessoas estão há tanto tempo sem carteira assinada que acabaram transformando a informalidade em profissão. Alexandre Silva Rodrigues tem 32 anos e desde os 22 vende artigos para carros no cruzamento da rua Gustavo Maciel com a avenida Duque de Caxias. No caso dele, a atividade foi praticamente uma porta de entrada para o “mercado de trabalho”.

Rodrigues não vislumbra mudar de vida tão cedo. Ele sabe que as exigências são grandes na hora de se arrumar um emprego. Nem todos que se encontram na mesma situação que a dele contentam-se em sobreviver na informalidade.

Moradores de áreas carentes da cidade recorrem a diversos tipos de alternativas, como cooperativas, cursos de geração e renda e programas de microcrédito. Tudo para tentar tornar menos acirrada a sobrevivência num mercado de trabalho que a cada dia oferece menos oportunidades.

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