Bairros

Nos cruzamentos, ambulantes ‘ralam’ para garantir sustento

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Quem pensa que apenas os catadores de papel “ralam” para sobreviver deveria procurar conhecer a realidade dos vendedores ambulantes que trabalham nos cruzamentos de ruas e avenidas da cidade. Alexandre Silva Rodrigues está nesse “ramo” há 10 anos, comercializando artigos para automóveis no cruzamento da rua Gustavo Maciel com a avenida Duque de Caxias.

Ele está atualmente com 32 anos, portanto não seria exagero supor que este tenha sido seu primeiro “emprego”. “Na verdade eu havia trabalhado durante um tempo como auxiliar de expedição numa fábrica. Depois que saí de lá vim para este lugar, onde estou até hoje”, conta.

Rodrigues ganha em média R$ 600,00, ao mês, quantia parecida à que Reinaldo Francelim consegue com a venda de capas para bancos de carros. A semelhança entre os dois não se resume aos rendimentos obtidos.

Assim como Rodrigues, Francelim também trabalha há bastante tempo no comércio de rua. “Vendo neste mesmo local (cruzamento das avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves) desde 1990. Já posso pedir usucapião da rua”, brinca.

No caso dele, a opção pelo comércio informal não veio por acaso. Francelim havia trabalhado durante vários anos como vendedor em papelarias da cidade, atividade que deixou de exercer em virtude de uma doença degenerativa nas córneas.

“Enquanto eu enxergava dava para trabalhar, mas foi ficando complicado e chegou um momento em que já não conseguia ler ou fazer contas. Achei melhor sair antes que desse problema”, conta.

Hoje, enquanto aguarda na fila para receber um transplante de córnea, Francelim segue com seu comércio de capas para bancos de carros. Ele também vende caldo de cana e isso não deixa de ser tanto irônico.

Quando trabalhava com carteira assinada, Francelim foi obrigado a sair do emprego por causa da doença. Hoje, mesmos em enxergar, ele tem de se dedicar a dois trabalhos informais para poder obter sustento. “Fazer o quê? Tenho que ganhar a vida...”, diz.

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