A falta de qualificação é um dos fatores que mais dificultam o acesso das pessoas ao mercado formal de trabalho. Pensando nisso, a Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes) tem priorizado a oferta de cursos de formação profissional aos usuários dos Centro de Referência da Assistência Social (Cras) da cidade.
São 1.380 pessoas participando atualmente do Programa Geração de Renda, nas mais diversas áreas de atuação. No último dia 6, por exemplo, cerca de 20 moradores das proximidades do Cras Nova Bauru receberam certificados de garçons.
A cerimônia de formatura foi simples, mas teve seus momentos de emoção - a monitora Ana Maria Cardoso foi homenageada com um arranjo de flores entregue por uma aluna. A secretária Egli Muniz, responsável pela Sebes, também esteve presente ao evento. Ela falou durante alguns minutos aos formandos.
Em seu discurso, Muniz procurou dar algumas explicações sobre o funcionamento dos projetos de geração de renda. Basicamente, a intenção é fazer com que o participantes do programas superem a condição de pobreza em que vivem.
Os cursos são divididos em módulos e têm duração variada. Os alunos do Cras Nova Bauru, por exemplo, tiveram de participar do programa durante um ano para receber os certificados de garçons. “Depois disso, caso tenham interesse em gerar renda, vocês podem procurar orientação com as assistentes sociais”, disse a secretária aos formandos.
Muniz não fazia sugestões ao acaso: ela havia sido informada de que parte dos presentes tinha interesse em criar um grupo de garçons para atuar de maneira conjunta no mercado. Por isso ela fez questão de valorizar o trabalho em associações e cooperativas.
“Atuando em conjunto vocês teriam condições de conseguir preços melhores para seu trabalho. Além disso, obteriam descontos da parte dos fornecedores”, argumentou a secretária.
Antes de passar a atuar por conta própria, os garçons do Nova Bauru teriam de passar por novos módulos do programa de Geração de Renda, nas áreas de desenvolvimento humano e gestão empresarial.
“É nessa etapa que o participante adquire noções de como levar um negócio adiante”, explica Adriane Julião Oliveira, chefe da seção de gestão de apoio a empreendimentos da Sebes, que não estava presente na cerimônia.
O incentivo dado pelas assistentes sociais ao trabalho conjunto já tem apresentado efeitos. Bauru conta desde abril do ano passado com uma cooperativa de coletores de material reciclável legalmente estabelecida. Em outros ramos de atividade surgem iniciativas semelhantes.
Cinco alunos recém-saídos do Curso de Geração de Renda em Massa Caseira da Sebes resolveram montar um grupo para fabricar e comercializar salgados, doces e bolos. Carlos Roberto Maluf, 51 anos, é uma dos idealizadores da “sociedade”. Ele lembra o investimento inicial feito por cada participante foi baixo.
“Todo mundo estava desempregado, portanto ninguém tinha dinheiro para colocar no negócio”, recorda. Sem poder colaborar financeiramente, os integrantes do grupo tiveram que apelar para a criatividade.
“O pessoal ajudou com aquilo que possuía em casa: batedeira, assadeira, farinha, açúcar”, enumera. Segundo ele, os “sócios” pretendem agora montar um cooperativa. “Mas isso é um projeto para o futuro. Antes temos de fazer esse negócio ir em frente”, pondera Maluf.