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Relações

Fui solicitado, recentemente, para diagnosticar uma empresa da cidade de Ribeirão Preto com um problema aparentemente inédito. Alguns funcionários estavam pedindo demissão porque a organização havia crescido demais, num curto espaço de tempo, e devido a isso tinha se desorganizado e, principalmente, perdido o calor humano.

Percebi que o principal executivo, uma pessoa carismática, deixou de realizar reuniões com os funcionários e de praticar o gerenciamento participativo. Isso estava sendo traduzido pelos funcionários como “não dar atenção.”

Sempre em ritmo acelerado, o líder também deixou de conversar com calma, como fazia anteriormente. A causa principal disso: o planejamento de crescimento não foi bem feito. Conseqüentemente, faltou estrutura e surgiram gargalos inesperados, desencadeando ansiedade.

Em face disso, o líder colocou em segundo plano as relações com os funcionários. Já não era a mesma pessoa. Demonstrava muita frieza.

Todas as empresas, por serem constituídas de pessoas, são organizações de relações. São relações com os fornecedores, os clientes, os colaboradores e a comunidade. Isso indica que o problema de relação pessoal tem o poder de bloquear processos inteligentes da organização.

Os dois pilares fundamentais para que ocorra uma relação saudável são: confiança e respeito. São valores que demandam caráter e tempo para se concretizarem e que basta um pequeno descuido para se desmoronarem. Todo cuidado nessa área é pouco.

Com relação à importância da reunião, a empresa que não se reúne se desune. A palavra reunião significa refazer a união. Quando duas pessoas se reúnem surgem trocas de energias sagradas, que fogem das nossas compreensões atuais.

Há anos que defendo a idéia de que um líder, em qualquer circunstância, deve dedicar no mínimo 70% de seu tempo de expediente às pessoas. Nessa linha de raciocínio, para uma reflexão maior, fica aqui uma fala de Zerka Moreno, esposa do criador do psicodrama: “Meu marido achava que as psiquês são particularmente difíceis de serem influenciadas. Ele sentia que eram as relações que influenciavam e era pelas relações que a cura poderia acontecer”.

Davison de Lucas. Diretor da M. Davison & Associados, consultor organizacional e palestrante.

www.mdavison.com.br

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