Educação alimentar começa na infância
Queridos pais,
Quando se fala em comida de bebê, a primeira coisa que vem na cabeça é aquela papinha amarelo-esverdeada, com pouco sal e quase sem tempero.
A mãe pega todos os tipos de verduras e hortaliças que existem na geladeira, mistura com um pouco de carne ou frango, cozinha tudo, bate no liqüidificador e pronto. Salvo uma ou outra variação no legume, esse será o cardápio da criança pelos próximos meses. E, se ela não se interessa por aquela comidinha feita com tanto carinho, a primeira pergunta é: “O que meu filho tem de errado?”.
Será que essa mãe parou para pensar como seria, caso ela tivesse que comer aquela papinha sem graça todos os dias? Se nem ela suportaria, por que a criança, que está tendo os primeiros contatos com os sabores, haveria de gostar? A filosofia “quanto mais sem gosto melhor” é o primeiro erro na alimentação infantil.
Desde cedo, o bebê quer comida gostosa. Para comer bem, ele precisa gostar do que dão a ele. Por isso, desista de vez das sopinhas sem gosto e só dê a seu filho aquilo que você também comeria.
A alimentação complementar começa a ser introduzida na dieta da criança a partir dos 6 meses. O ideal é que a amamentação continue até no mínimo 5 a seis meses. No inicio, a comida deve ter consistência pastosa e gradativamente ganhar solidez.
Por volta de 1 ano a criança já deve estar integrada aos hábitos alimentares e ao tempero da família. Mas, enquanto ela ainda precisa ter sua comidinha especial, varie o cardápio, seja criativa da mesma forma que é para preparar as suas refeições. Faça com que seu filho aprecie a comida desde cedo.
Comida saborosa não significa que o bebê pode comer de tudo. Até os 2 anos existem algumas restrições na dieta da criança. A sopinha deve ter pouco sal e o açúcar deve ser introduzido na alimentação só depois de 1 ano ou postergado pelo maior tempo possível. Café, refrigerantes, balas, salgadinhos industrializados, frituras e outra guloseimas devem ser evitados até os 2 anos.
Uma cilada em que você não pode cair é a de se comover com cara feia e pensar que seu filho não gosta de nada. O bebê só aprende a gostar de alguns alimentos depois de comê-los repetidas vezes. É necessário um tempo até a criança se adaptar a um novo sabor. Ou seja, você pode educar os hábitos alimentares dela e fazer com que ela aprenda a gostar de salada e verdura.
Mas tenha bom senso. Quando perceber que não tem jeito, não o force a comer. O leite materno é o melhor alimento para o recém-nascido e fornece ao bebê todos os nutrientes que ele precisa: proteína, gordura, vitaminas e sais minerais. Mamando no peito regularmente ele tem menos riscos de ficar doente e se desenvolve melhor.
Queridos pais, aproveitem a semana da criança e dê colo, beijinhos, abraços, massagem e todo tipo de toque a sua criança. Contato físico é fundamental. Valorize os pequenos momentos do cotidiano. Mantenha permanentemente a troca amorosa e apresente a beleza do mundo a seu filho.
Um forte abraço e até o próximo domingo.
Daniela Hueb
Médica, CRM-SP 96.027
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Sopinhas devem ser batidas no liqüidificador?
As primeiras refeições salgadas precisam ter consistência pastosa, mas as papinhas nunca devem ser batidas no liqüidificador. Isso liquefaz a comida, destrói as fibras e o bebê não aprende a mastigar. Passe a sopa por uma peneira e controle a densidade com o caldo.
Algumas frutas fazem mal para o bebê?
Não existe fruta certa para dar à criança. Quanto mais variada ela for, melhor. Não precisa correr atrás de fruta fora de época e pagar uma fortuna. A melhor é a disponível em sua região e na estação certa.
Quando o bebê tem cólica, a mãe está com pouco leite?
Isso dizia nossas avós. Hoje se sabe que é uma grande bobagem. Entre o primeiro e o terceiro mês é comum que o bebê sinta dores abdominais, o que não está relacionado com a falta de leite.