Mulher

‘Papéis de mãe e dona de casa não são inerentes à mulher’

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

O aumento da participação feminina no mercado de trabalho é indiscutível. Uma recente pesquisa divulgada pelo Ibope Solution reforça este contexto. Os dados mostram que as mulheres representam 49% da população economicamente ativa do País, comandando cerca de 12 milhões de domicílios. Consequentemente também houve um aumento de mulheres que ocupam cargos de liderança nas empresas.

Apesar disto, em relação à área profissional, muitas mulheres ainda encontram certas dificuldades em partilhar o mercado de trabalho de igual para igual com o homem. Segundo a pesquisa do Ibope, somente 34% das entrevistadas considera justo o salário que recebem, devido à discriminação que ainda persiste na sociedade.

As barreiras podem ser maiores quando se trata das mulheres “casadas” com o trabalho, solteiras e sem filhos, caso da procuradora jurídica aposentada Aparecida Acituno Fernandes, 60 anos. Embora não sentisse cobrança por parte dos pais pelo fato de não ter se casado, revela, já enfrentou pressão de alguns tios.

“Na época a mulher se casava muito jovem. Ela era criada para ser mãe e dona de casa. Meus pais eram avançados para a época e para meu pai, o importante era que eu e meus irmãos estudássemos. Dizia que o matrimônio não era ‘muleta’”, diz.

De acordo com Lídia Maria Vianna Possas, historiadora e professora da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Marília, os papéis de mãe, esposa e dona de casa não são inerentes à mulher e, sim, historicamente constituídos.

Ela explica que a função feminina no plano “doméstico” tem uma argumentação e segue o princípio da república burguesa. “Segundo esta lógica, o lar é o espaço feminino, onde a mulher concebe e educa o futuro cidadão da república. Daí vem a expressão ‘rainha do lar’”, diz.

Já o espaço público, aponta a historiadora, corresponde ao espaço próprio e nato do homem. “A expressão ‘homem público’ define o homem que se destaca na sociedade. O mesmo não se pode dizer para as mulheres. As pessoas ainda funcionam dentro desta representação”, aponta.

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