Em tempos de baixo crescimento econômico, o serviço público desponta como uma área bastante promissora. Todos os meses são oferecidas, em média, cerca de 13 mil vagas de trabalho para candidatos de todo o Brasil. Existem opções para os diferentes níveis de escolaridade e faixa salarial. Além disso, a estabilidade no emprego é um dos principais atrativos. Por esse motivo, a concorrência é sempre grande. Saiba como se preparar adequadamente para um concurso e conheça algumas dicas para chegar tranqüilo no dia da prova.
Nada desperta mais o interesse de candidatos a um emprego público do que a segurança proporcionada pela estabilidade. A certeza de que o desemprego não chegará do dia para a noite é suficiente para tirar uma carga de estresse tremenda das costas de qualquer trabalhador.
Em alguns casos, a estabilidade vem acompanhada por salários bastante atrativos. Mas para chegar nesse ponto é preciso vencer uma concorrência muito forte. E isso só se consegue com muito esforço e estudo. Talvez, a aprovação não chegue no primeiro ou segundo concurso. A persistência e a paciência são virtudes indispensáveis para quem deseja um emprego público que ofereça estabilidade e bom salário.
A cada concurso que passa as chances de aprovação vão ficando maiores, porque as perguntas acabam girando em torno do mesmo assunto, segundo Daniel Majone Moretto, diretor de uma escola de cursinhos preparatórios para concursos. O candidato vai se aperfeiçoando, corrigindo onde errou, até chegar a um nível de conhecimento que lhe dê sustentação para conquistar uma das vagas.
A paciência, no entanto, neste caso é uma virtude cara, principalmente para quem está desempregado e sem dinheiro. Fazer um cursinho preparatório de dois meses, por exemplo, pode custar de R$ 300,00 a R$ 450,00 dependendo da escola. Além disso, tem a taxa de inscrição para o concurso, que pode variar de R$ 10,00 a R$ 160,00 dependendo do cargo escolhido.
A necessidade de um investimento como esse faz muitos candidatos adotarem a tática da progressão. Ou seja, primeiro busca-se um emprego que não exige conhecimento muito aprofundado, que em tese seria mais fácil ser aprovado. Uma vez empregado, a meta passa a ser outro concurso, para um cargo que pague salário melhor e assim sucessivamente, até que o candidato chegue onde sempre sonhou.
Essa tática está sendo adotada pela atendente comercial dos Correios Erika Cristina da Silva, 29 anos. Cansada de trabalhar como operadora de caixa em um supermercado, ela decidiu voltar a estudar e tentar um emprego público. Se deu bem logo na primeira tentativa, em 2001, quando prestou concurso para os Correios. Erika foi aprovada e desde então não parou mais de concorrer. Já tentou uma vaga para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), escrevente do Fórum, Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) e Detran.
A próxima tentativa será para o cargo de técnico judiciário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo. “Não vou desistir, porque cada vez estou chegando mais perto”, alega Erika. “Quero mais, quero crescer profissionalmente.”
De acordo com o professor de matemática Carlos Iunes, que leciona há 24 anos em cursinhos preparatórios para concursos, a área jurídica é a que mais está contratando atualmente. Segundo ele, isso se deve à defasagem de funcionários que existe no setor.
A maior parte dos cargos exige dos candidatos pelo menos o ensino médio. Segundo Iunes, conseqüentemente esse é o público que mais procura os concursos, mas há também a concorrência dos candidatos com ensino superior.
A média de 13 mil vagas oferecidas todos os meses por meio de concursos públicos no País foi calculada por Marta Vieira, editora-chefe do Jornal dos Concursos, publicação voltada exclusivamente para esse segmento. As edições são semanais e podem ser encontradas em todas as bancas, especialmente das regiões Sul e Sudeste.