O fantasma do desemprego é uma das figuras mais temidas pelos trabalhadores. Ele é responsável por horas perdidas de sono, problemas familiares, estresse e outras doenças físicas e psicológicas. Talvez por tudo isso e muito mais, a estabilidade no emprego é um sonho perseguido por praticamente todas as pessoas que trabalham.
Algumas chegam a abrir mão de carreiras promissoras, mas ao mesmo tempo arriscadas, só para ter a garantia de que todo início de mês haverá dinheiro na conta para pagar as despesas cotidianas e ainda fazer planos de consumo.
Estabilidade não significa que o funcionário não poderá ser mandado embora. Mas para que isso aconteça, a falha tem de ser grave e, mesmo assim, o acusado tem direito a ampla defesa. A demissão não acontece de um dia para outro.
Um homem de 40 anos deixou as vendas e o trabalho de contador de lado para se dedicar aos estudos e tentar uma das vagas para agente de segurança oferecida pelo Estado. Mesmo estreante em concurso, ele conseguiu ser aprovado. Isso foi há oito anos. Em função do cargo que ocupa hoje, pediu para não ser identificado.
No início, viajava todos os dias para a penitenciária de Pirajuí. Após a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, foi transferido e permanece até hoje no local.
Mesmo satisfeito com o salário que recebe atualmente, cerca de R$ 1,7 mil, ele quer mais. Seu próximo passo será tentar uma das vagas oferecidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), cujo salário inicial chega a R$ 2,5 mil.
Uma fisioterapeuta de 27 anos foi outra que trocou a profissão pela estabilidade de um emprego público. Ela também pediu para não ser identificada por ocupar cargo de agente de segurança no sistema penitenciário do Estado.
Segundo ela, com o salário que vai receber como agente será possível tentar um curso de pós-graduação na área de fisioterapia, algo que seria impossível se continuasse com a clínica, por causa dos ganhos inconstantes. Ela planeja uma promoção no próprio sistema penitenciário. No entanto, seu principal objetivo é passar no concurso para agente federal.
O comerciante Mário Namiki, 30 anos, está se preparando para seu terceiro concurso. Segundo ele, quem trabalha no comércio fica muito escravizado, porque só vive em função disso. “Não existe fim de semana, férias e nem hora extra”, reclama ele.
O primeiro concurso foi em março deste ano, quando Namiki tentou um cargo na Polícia Civil. Ele ficou classificado entre os 11 primeiros (existiam oito vagas), mas desistiu depois dos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) à polícia.
Na seqüência, prestou concurso para técnico bancário da Caixa Econômica Federal (CEF) e está na lista de espera. No dia 22, prestará concurso para técnico judiciário do TRE.