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Professores querem mais atenção

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos anos, tornou-se corriqueiro ver os professores cobrando atenção maior das autoridades para melhorar o nível da educação no Brasil. No entanto, o grande desafio da categoria continua dentro da sala de aula. O déficit de atenção entre os alunos tem obrigado os professores a ser criativos o tempo todo. Só assim conseguem tornar as aulas mais interessantes e evitar a dispersão e as conversas paralelas dentro da sala.

As táticas utilizadas com esse propósito são as mais diversificadas. Enquanto alguns professores procuram contextualizar a matéria ao cotidiano do aluno, outros inventam jogos, músicas, oficinas e outras alternativas. “Prender a atenção dos alunos hoje é muito difícil”, diz o professor Gerson Francisco de Assis, que trabalhou durante dez anos com alunos do ensino médio. Atualmente, dá aulas de histologia na Universidade de São Paulo (USP).

Outro grande desafio dos professores, segundo ele, é reconquistar o respeito dentro e fora da sala de aula. Há alguns anos, a figura do professor não só era respeitada como também admirada pela sociedade. Isso foi se perdendo no tempo até chegar à situação atual. “Hoje, o aluno não respeita mais os professores”, afirma Assis.

Na opinião dele, é o primeiro contato com a sala que vai definir como será o relacionamento entre professor e aluno. “O respeito tem de ser conquistado logo no primeiro contato. Dificilmente ele vai conseguir isso depois”, argumenta.

De acordo com a professora de matemática Maria Carmem Fernandes Herrera Mucheroni, os desafios são os mesmos tanto na escola pública quanto na rede particular. A única diferença, segundo ela, é que nas escolas particulares as salas têm menos alunos, o que facilita o trabalho dos professores.

Ela conta que chegou a fazer uma “viagem astral” usando signos para ensinar logaritmos aos alunos. Maria Carmem garante que a iniciativa deu certo. Professora há 34 anos, ela já lecionou para alunos do ensino infantil, fundamental e médio nas redes pública e particular. Após aposentadoria concedida pelo Estado, passou a dar aulas apenas na rede particular, para alunos do ensino médio.

Ela relata que já utilizou jogos, fotografias, violão, oficinas e outros artifícios para dar mais dinâmica às aulas e ajudar os alunos a compreender fórmulas e tornar a aula menos cansativa. Outra alternativa, segundo ela, é explorar o que cada aluno tem de melhor. Ou seja, descobrir qual o dom de cada aluno e fazer com que ele aprenda utilizando esses conhecimentos.

A satisfação em ver a semente do conhecimento brotar na cabeça dos alunos é maior do que qualquer causa ganha nos tribunais, segundo a professora de português e advogada Dalcimary Aparecida Pavani. “Como professora eu me realizo muito mais, é gratificante”, afirma.

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Função social

Para o professor universitário Ângelo Sottovia Aranha, o principal desafio da categoria sempre foi e sempre será cumprir da melhor maneira possível sua função social. Seja para ensinar as pessoas a ler e escrever ou preparar mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho.

Mais habituado a preparar mão-de-obra, Aranha diz que outro grande desafio é saber como utilizar corretamente as facilidades proporcionadas pela tecnologia. “É preciso que as pessoas tenham tempo para produzir, pesquisar ou aprimorar o que já existe”, afirma. “A tecnologia melhorou a produtividade, porque as coisas ficaram mais rápidas, mas não a qualidade.”

Já a professora e pedagoga Sueli Penteado está mais habituada a ensinar seus alunos a ler e escrever. Depois de 15 anos lecionando história para alunos do ensino médio em escolas do Estado, ela decidiu mudar de público e agora trabalha apenas com crianças de até 6 anos, em escola municipal.

Apesar de exigir atenção redobrada dos professores, o ensino infantil encanta por suas particularidades. Segundo Sueli, “não tem dinheiro que pague” a alegria de ver as crianças descobrindo o mundo. “Apesar do salário (baixo), dos alunos bagunceiros e da falta de estrutura (das escolas), ainda vale a pena ser professor”, afirma Sueli.

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