Tribuna do Leitor

Vôo 1907 - Um teste à nossa soberania


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O acidente com o vôo 1907 - da empresa Gol, resultou em dor e tristeza às famílias brasileiras e um injusto arranhão de graves proporções à imagem de uma empresa aérea genuinamente nacional. Os dois pilotos americanos estão retidos no Brasil em condições muito diferenciadas daquelas costumeiramente noticiadas pela imprensa quando da prisão de brasileiros suspeitos de irregularidades em solo norte-americano.

Aqui, os pilotos americanos, sob juízo de suspeição, aguardam o resultado das investigações em hotel de luxo com vista para o mar. Na pátria deles, pilotos brasileiros estariam sob juízo de condenação e experimentando as agruras do ódio policial a estrangeiros. Desnecessário comentar quanto ao tratamento que a polícia americana estaria dispensando a pilotos brasileiros em episódio semelhante.

Reconheço e admiro a valiosa contribuição científica e tecnológica vinda do norte, que entre outras coisas nos permite equipar aviões na Embraer e competirmos com sucesso inclusive no mercado americano. Quanto à medicina e outras áreas, é inegável as contribuições recebidas. Mas me desencanto ao perceber que a nação que se move pelo mundo com poderes de polícia, proclama-se fiel defensora da justiça e liberdade; da democracia e soberania, acena com a possibilidade de exigir o retorno dos pilotos aos Estados Unidos antes que o processo investigativo seja encerrado.

Seria elegante e ético que um país que se reveste de tais atributos faça a lição de casa; evite artifícios ao estilo das patriotadas hollywoodianas, e não interfira de forma insolente nos trabalhos das autoridades brasileiras que agem com lisura, respeito às normas internacionais para casos dessa natureza e sobretudo isenta de contaminação das patologias anti-terrotistas que vitimaram muitos brasileiros. Não deveriam perder a oportunidade de mostrar ao mundo que possuem valores muito acima da prática de dois pesos e duas medidas.

Gilmar de Carvalho

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