Economia & Negócios

‘Faxineiros’ ganham mais no Finados

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Michele Aparecida Rodrigues, 25 anos, ganha cerca de R$ 400,00 por mês lavando túmulos no Cemitério da Saudade, em Bauru. Com a aproximação do feriado de Finados, ela contabiliza acréscimo de R$ 200,00 em seu ordenado por conta do aumento da procura pelo serviço.

“Agora é a época de tirar o pé da lama. Quem tiver dívida para pagar, tem que aproveitar”, diz, empolgada, a zeladora. Diariamente, Rodrigues cuida de 20 túmulos e, até a última semana, havia aceitado mais 12 serviços, exclusivamente para o dia 2 de novembro.

O preço da limpeza, segundo a zeladora, varia conforme o tamanho e a quantidade de peças de bronze do túmulo. “Cobro entre R$ 20,00 e R$ 40,00. Não dá para pedir menos. Arear plaquinhas e crucifixos de bronze não é nada fácil”, justifica.

O Dia dos Mortos também tem engordado os rendimentos de Maura Aparecida Barbosa, 64 anos, que a exemplo de Rodrigues, trabalha como autônoma no Cemitério da Saudade. Sob sol ou chuva, ela limpa, de segunda a sábado, 60 jazigos. O trabalho, que requer muita disposição e sacrifício, rende no final do mês um salário de quase R$ 1 mil. “Em geral, chego a ganhar até R$ 300,00 a mais no período de Finados”, conta.

A zeladora, porém, ressalta que a demanda poderia ser maior se não fosse a concorrência desleal que ocorre dentro do cemitério. “Tem muita gente que aceita fazer o serviço por R$ 5,00, R$ 10,00, só para tomar o cliente da gente. Isso desvaloriza o trabalho de todo mundo. Ninguém ganha com esse tipo de atitude”, reclama Barbosa, que limpa túmulos há 23 anos.

No Cemitério Redentor, o coveiro Amauri Azevedo, 47 anos, dobrou nos últimos dias o número de clientes que atende prestando serviços de limpeza e de reparos em jazigos. Segundo ele, são R$ 15,00 cobrados por túmulo. “Com Finados chegando, vai dar para ganhar uns R$ 120,00, sem falar nos servicinhos de pintura, que me rendem R$ 35,00 cada um. A procura já começou e está muito boa”, comemora o coveiro, que tem quatro clientes fixos.

Azevedo, que também é funcionário da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), espera que a procura pelos serviços aumente ainda mais dentro dos próximos dez dias.

Velas

A cera derretida das velas também tem sido uma fonte de renda dentro dos cemitérios. Muita gente – até mesmo quem não trabalha nesses lugares – costuma recolher o produto um dia depois do feriado para vender às fábricas de vela. Entre todos os cemitérios de Bauru, são obtidas dezenas de quilos de cera resultantes das velas queimadas no dia 2 de novembro.

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Vagas abertas

A partir de hoje os ambulantes interessados em comercializar produtos nos cemitérios de Bauru devem se inscrever na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).

São oferecidas 31 vagas no Cemitério da Saudade, 23 no Redentor, 14 no São Benedito e quatro no Cristo Rei. Segundo a Seplan, os produtos autorizados para venda são flores, velas e água. As inscrições devem ser feitas até o dia 27 de outubro, das 8h às 14h, na secretaria (Praça das Cerejeiras, 1-59). O interessado deve apresentar o documento de identidade e pagar taxa de R$ 44,21 pelo espaço. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 3235-1036.

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